16/04/2017

Conheça o verdadeiro Lula

- Você que sabe das coisas, agora me diga: quem é o Luiz Inácio Lula da Silva? Foi um grande líder sindical?

- Não, não foi... Foi um pelegão que traiu seus liderados e mordia propinas das empresas...

- Mas ele modernizou a legislação sindical....

- Mentira! Sua reforma na legislação sindical aumentou o poder da cúpula das centrais e fez nascer o superpelego...

- Mas ele, que nasceu para a política dentro de um Sindicato, modernizou a legislação trabalhista...

- Outra mentira: a Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT foi criada há 70 anos e continua intacta... O Brasil ainda tem uma das legislações trabalhistas mais atrasadas do mundo...

- Ele distribuiu renda e riquezas em oito anos de mandato...

- Suas políticas sociais não tinham consistência... Tudo aquilo que ele deu com uma das mãos, o governo desastrado de sua sucessora, Dilma Roussef, tirou com as duas... Só em 2015, nada menos de 3,6 milhões de pessoas, segundo levantamento do PNAD, regrediram para pobreza extrema...

- Ele fez muita reforma agrária...

- Não fez... Em matéria de distribuição de terra, até o José Sarney fez mais que Lula... Se somarmos o volume de terra distribuída por Lula e Dilma, não dá o volume distribuído por FHC....

- Foi um grande palestrante...

- Não, não foi... Suas palestras eram uma farsa pra lavar o dinheiro farto que recebia da Odebrecht ...

- É um nordestino pobre, sem nenhum patrimônio significativo...

- Não, não é... Ele é dono de um magnifico sítio em Atibaia-SP (só a reforma paga pela Odebrecht custou 700 mil reais)... Ele é dono também de um apartamento triplex com vista para o mar no Guarujá-SP, fora um espaçoso apartamento onde mora, em São Bernardo do Campo... Por enquanto, é o que se sabe...

- Seus filhos (Lulinha e Luleco) são grandes empreendedores!

- Não, não são. Amealharam fortunas, rapidamente, por influência do pai-presidente junto a empreiteiras e empresas de tecnologia de origem e atividades suspeitas...

- Seu governo fez muitas obras importantes em Cuba, em Angola, no Peru...

- Não, não fez...era tudo jogo de cena pra aumentar o valor das propinas e enriquecer empresas como a Odebrecht... E dar uma ajuda para o sobrinho da mulher, Taiguara, em Angola... Vejam os dados recentemente publicados no Facebook pelo jornalista Carlos Marchi: “Entre 2007 e 2015, o BNDES destinou US$ 11,9 bilhões para serviços de engenharia no exterior. A Odebrecht embolsou US$ 8,4 bilhões - 70% do total. Ou seja, por ordem de Lulla, 70% do que o BNDES emprestou para serviços de engenharia no exterior foram para a Odebrecht.”.

- Mas, ele é de esquerda!

- Não, nunca foi! É apenas “um bon vivant”

- A criação do Instituto Lula teve motivação bastante nobre...

- Não, não teve... O Instituto – sabe-se agora – foi criado pra lavar e esconder o dinheiro que ele amealhava em propinas, participação em obras, tráfico de influência...







11/04/2017

Lula e Dilma eram só gratidão!

        Convido a todos, meus amigos e amigas do Facebook, a ler – ou reler, se for o caso – o artigo abaixo escrito e publicado aqui há poucos meses pelo jornalista Ethevaldo Siqueira... Eu o tenho guardado e sugiro que vocês também o guardem... Daqui a alguns anos, quando nossos filhos e netos tiverem curiosidade em saber o que de fato aconteceu no Brasil nesta segunda década do novo século, bastará entregarmos a eles este artigo, uma síntese perfeita do espetáculo de cinismo protagonizado por Lula e Dilma, ou Molusco e Janete, se preferirem...

        “Ele é um dos "grandes amigos" de Lula, de Dilma e do PT. Seu nome: Albert Frère, um mega empresário belga e um dos homens mais ricos daquele país. Financiou a campanha do Lula, o filme LULA, a campanha da Dilma... E até há pouco, havia poucas provas do grande escândalo que estava por trás dessa "amizade". Hoje há uma tonelada de provas e evidências.

        Qual é a razão da amizade estranha? Pura gratidão. Albert Frère era o dono da Refinaria de Pasadena, no Texas, por meio da Astra Transcor Energy, que foi comprada por U$ 42,5 milhões como sucata, em 2005, e vendida um ano depois por U$ 1,12 bilhão para a Petrobras. Ou seja, por um preço 26 vezes maior. Mamãe Petrobras dos tempos de Lula e Dilma era bem generosa, não acham?

        Albert Frère possui 8% das ações da GDF Suez Global LNG, ocupando a cadeira de vice-presidente mundial nesta mega organização, maior produtora privada de energia do planeta.

        A GDF Suez possui negócios com a Petrobras no Recôncavo Baiano, mas seu principal negócio no Brasil é a Tractebel Energia, dona de um faturamento de quase R$ 6 bilhões anuais.

        A empresa é dona de Estreito, Jirau, Machadinho, Itá e dezenas de hidrelétricas, termelétricas e eólicas. Por aí vemos como os “líderes de trabalhadores” e seus amigos se articulam sem que ninguém imagine como funcione a máquina da corrupção.

        A Tractebel, que é da GDF Suez, tem como um dos principais acionistas o senhor Albert Frère, um dos donos da Astra Transcor Energy, o mesmo que passou a perna no Brasil em U$ 1,12 bilhão na grande maracutaia de Pasadena, e que correspondeu à generosidade dos governos petistas tornando-se grande doadora da campanha de reeleição de Lula, em 2006, com a doação modesta de R$ 300 mil – cuja legalidade chegou a ser contestada.

        A mesma Tractebel foi uma das patrocinadoras do filme “Lula, Filho do Brasil” (eu quase errei ao escrever esse título, de “Filho do Brasil”). Já em 2010, para a eleição de Dilma, a Tractebel doou quase R$ 900 mil.

        Será que os próprios petistas (honestos e puros, se ainda existir alguns) não deveriam exigir a apuração rigorosa de tudo isso? Ninguém está inventando nada. Essas denúncias foram publicadas na imprensa brasileira desde 2014...”

Albert Frère

Refinaria de Pasadena

Lula e Dilma


06/04/2017

Mônica Iozzi, Letícia Sabatella, Zé de Abreu e Aécio Neves

        Ela andava sumida e reapareceu no sábado passado como convidada de Serginho Groisman, no Altas Horas... Foi saudada pelo apresentador como uma mulher de fibra e que mantém suas posições com firmeza ao longo do tempo...
        Serginho ainda informou que ela expressa suas opiniões pelas redes sociais... Fiquei curioso e corri para o Facebook; não demorei pra descobrir que Mônica Iozzi – sim, estou falando dela! – é, digamos, uma espécie de Zé de Abreu de batom...
        Não sei o que vocês acham de Zé de Abreu, mas pra mim ele é um dos canalhas a serviço do PT... Nada mais do que um canalha!

        Mônica, ao contrário, não se identifica como petista e, na medida do possível, evita vestir-se de vermelho... Teme ser chamada de petralha...

NÃO, ELA NÃO É PETRALHA

        Já Zé de Abreu é aquele militante que espera que os críticos do PT morram para atacá-los, como fez com o jornalista Sandro Vaia no dia em que seu corpo era velado em Jundiaí... E atacou-o com mentiras, coisa de homem sem caráter...
        Não sei se Iozzi chegaria a tanto, mas suas páginas no Facebook – ela tem quatro ou cinco delas – confirmam que ela usa a mesma metodologia petralha, sem tirar nem por... Primeiro atira, só depois vai ver que bicho matou...
        Num post, com dissimulação, ela atribui a Michel Temer a responsabilidade pela morte de Teori Zavascki, o relator da Lavajato no STF...
        Em muitos outros, ela usa sua força de personagem público, alavancada pela Globo, para convocar pessoas para o protesto contra a Reforma da Previdência e a Terceirização... Ela não expõe o que pensa sobre esses temas, se é que pensa alguma coisa, se é que os estudou, mas convoca a todos para protestar contra... Faz igualzinho aos petralhas, portanto...
        Sua obra-prima, por enquanto, é um vídeo onde ela, com seu rosto lindo e seu discurso eloquente, de traje vermelho, manifesta suas preocupações com a “onda de intolerância” que assola a política; ela mesma, bem ao estilo petralha, não se importa se as suas páginas no Facebook sejam combustível poderoso para a intolerância...

ELA GRAVA VÍDEO EM TRAJES VERMELHOS

        Nesse vídeo, ela mostra que é a intolerância que levou um grupo de manifestantes a vaiar a atriz Letícia Sabatella numa praça de Curitiba e, certamente pra mascarar seus pendores petralhas, fala também de sua indignação ao saber que o senador Aécio Neves foi vaiado e xingado ao passear com a família numa praia...
        Já escrevi sobre o caso Letícia Sabatella e afirmei que jamais vou incentivar que pessoas sejam hostilizadas em praça pública...
        Escrevi em meu blog: “As pessoas que saíram na defesa exaltada da atriz Letícia Sabatella, insultada há poucos dias numa praça de Curitiba onde se realizava manifestação de apoio ao Impeachment de Dilma Rousseff, têm memória curta.
        Já não devem se lembrar mais que insultar as pessoas na rua, em praças públicas, em estúdio ou na porta de emissoras de TV, é um privilégio dos militantes do PT.
        Que o diga a Blogueira cubana, Yoani Sanchez, em visita ao Brasil ainda em 2013. Perseguiram a moça em todos os lugares que visitou – Salvador, Brasília, São Paulo. Presentes na gravação de um programa de TV que a entrevistava, quase não a deixaram falar.
        O PT, na verdade, colhe uma mínima parte do veneno que sempre disseminou. Não acho que seja correto atacar alguém, ainda que verbalmente, por seus posicionamentos políticos, mas o momento tem de ser de forte inflexão”.

SOBRE AÉCIO NEVES

        Já sobre as vaias recebidas pelo senador Aécio Neves, eu escrevo agora: as agressões, nesse caso, do mesmo modo inadmissíveis, vão encontrar explicação na justa intolerância popular à corrupção em escala assustadora nesta fase áurea da política brasileira em que a podridão, doa a quem doer, é retirada das gavetas...
        Eu mesmo, se tivesse avistado Aécio nessa praia, teria dirigido a ele meu olhar de desprezo e revolta, não por supostamente estar envolvido em casos de corrupção, mas por sua omissão já antiga nos inúmeros casos de abusos na exploração mineral neste país... É inadmissível que um senador influente das Minas Gerais nunca tenha se preocupado em aprovar no Congresso Nacional um novo e decente marco regulatório para a mineração brasileira, onde os crimes do porte do desastre de Mariana são a ponta de um iceberg carregado de bandalheira, insalubridade, sonegação fiscal, a começar pelo nióbio...

        Mas a moçoila Monica Iozzi jamais erguerá bandeiras assim... Ela prefere a cômoda superficialidade dos pratos feitos montados pelo PT, pois na defesa deles ela pode posar de “moça de princípios...” 

Mônica Iozzi

Letícia Sabatella

Zé de Abreu

Aécio Neves



25/03/2017

A alegria contagiante de Tite

        É bonito de se ver: Tite pula de alegria quando seu time marca um gol ! Reparem que ele pula uma, duas, três, quatro vezes... Reparem que ele pula quantas vezes seu time marcar !

        É essa alegria que o liga ao futebol; é essa alegria que ele transmite a seus jogadores e faz com que eles sejam também alegres e tragam de volta aos gramados a alegria, a ginga, a competência do futebol brasileiro...

        Fizemos bem, portanto, em afastar o rosto fechado e  amargo de Dunga... O amargor de Dunga contagiava os jogadores que contagiavam o futebol... Triste época que, felizmente, deixamos para trás...

        O desafio agora é trazer a alegria de volta à política e contagiar com ela os eleitores de todo o Brasil... Já tivemos uma política alegre com Juscelino Kubitschek, mas um dia ela foi expulsa de campo pelos militares e nunca mais voltou... Em lugar da alegria, os militares impuseram o medo...


        O SORRISO ALEGRE DO URBANISTA

        Fernando Collor de Mello tinha tudo pra trazê-la de volta, mas em 1989, eleito presidente com apenas 39 anos de idade, nunca se deixou fotografar com um belo sorriso no rosto, um sorriso  que simbolizasse seu grande e precoce sucesso... Preferiu o rosto taciturno dos déspotas...não por acaso, foi expulso de campo prematuramente...

        Que eu me lembre, o último sorriso de alegria na política foi proferido pelo urbanista Jaime Lerner ao se eleger – por eleições diretas pela primeira vez – prefeito de Curitiba...


        Jaime Lerner havia sido prefeito da cidade por dois mandatos indiretos (1971 e 1979) durante o regime militar e em 1984 tentou eleger-se pelo voto direto pela primeira vez... Foi derrotado pelo hoje senador Roberto Requião... Ficou indignado ! O eleitor da cidade que ele havia revolucionado em duas administrações intensas e criativas, virou-lhe as costas e foi experimentar outros nomes...

        Brigou com a cidade, transferiu seu título de eleitor para o Rio de Janeiro... Dali a três anos e meio, quando a campanha já chegava à reta final, baseando-se em pesquisas que indicavam altas possibilidades de vencer, cedeu aos apelos dos amigos e voltou... Foi então eleito prefeito por grande votação e numa campanha fulminante, com menos de dois meses de duração... Reconciliou-se com o eleitor de sua cidade e sorriu um sorriso largo de satisfação...

        Lerner aproveitaria o embalo e se elegeria governador do Paraná por dois mandatos consecutivos... Aprendeu que a alegria é indispensável para se fazer política...


         O PLANO DA ALEGRIA

        Foi o Plano Real que, em 1994, trouxe a alegria de volta ao Brasil atormentado pela hiperinflação... E, em ritmo de alegria, Fernando Henrique Cardoso surgiu pra presentear a nação com seus dois mandatos alegres, nem tão alegres quanto foram os quatro anos de JK, mas suficientemente alegres pra afastar o pesadelo da inflação e voltarmos a sonhar com um País mais justo e mais decente...

        A alegria despertada pelo Plano Real tinha – e ninguém ainda havia percebido – sua face sinistra: Lula foi eleito presidente (2003) e conseguiu substituir a alegria pelo cinismo, manejado com maestria ainda maior por sua sucessora, Dilma Rousseff...

        O cinismo não produz alegria, gera apenas indignação e tristeza; os cínicos nunca sorriem, eles apenas debocham... Vejam fotos do bando reunido na festa organizada pelo PT para tentar resgatar a autoria da obra de transposição do Rio São Francisco em prol de seu líder supremo, Luiz Inácio Lula da Silva... São quase todos implicados na Lavajato...  pareciam procurar por alguém que os homiziasse no agreste brasileiro... Não sorriem, apenas expelem cinismo e deboche pelo rosto... Hienas, isso que todos são....


        LULA RIFA MAIS UM AMIGO

        Pois foi no agreste que Lula, o ingrato, pareceu ter rifado de vez o intrépido amigo Ciro Gomes (aquele que prometeu sequestrá-lo  para evitar sua prisão) e  indicar que o nome de sua preferência para ser seu sucessor é o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad...

        Enquanto isso, há notícias também de que a cúpula tucana – José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin – estaria disposta a abrir caminho para a candidatura de João Dória, o prefeito de São Paulo, à presidência da República em 2018...

       Já torço pra que isso aconteça ! Seria delicioso ver Dória dar outra surra bem dada em Haddad e, presumivelmente, abrir caminho para a volta triunfal da alegria à política...  

Tite: a alegria que contagia o time...


Collor: eleito presidente com apenas 39 anos, nunca foi visto sorrindo...sempre a mesma cara de déspota !


Jaime Lerner: sorrisos pela reconciliação com seus eleitores curitibanos...



Lula já rifou o amigo Ciro Gomes...



Implicada na Lavajato, cúpula tucana pode abrir caminho para a candidatura presidencial de João Doria !

22/03/2017

Um projeto pela água

         “Água para todos, todos pela água”, rezava o cartaz impresso no formato de um pôster que anunciava o Projeto Água, uma iniciativa do Planalto Paulista, jornal regional da Gazeta Mercantil com circulação restrita à Região de Campinas, interior do Estado de São Paulo. Nem nós que fomos os idealizadores e executores do projeto previmos que ele teria tanta repercussão – conquistou vários prêmios regionais e chegou à final do Prêmio Esso. Foi no comecinho do novo século...

        Recebeu ampla adesão de anunciantes; inúmeras empresas patrocinadoras emolduraram e puseram na parede o cartaz de apoio institucional ao projeto; produziu transformações básicas na estrutura de gestão das águas em SP; impactou inúmeras indústrias regionais só então alertadas para a escassez da água regional. Pode-se dizer, com segurança, que foi o Projeto Água que intensificou a racionalização do uso da água pela indústria paulista.

        A estrutura do Projeto obedeceu a uma agenda pré-definida e muito bem calculada: começou com a edição de seis cadernos temáticos encartados no Planalto Paulista (por sua vez, encartado no jornal Gazeta Mercantil, de circulação nacional) e terminou com um seminário que reuniu mais de mil pessoas no auditório do CIESP, em Campinas, para discutir a cobrança pelo uso da água.

        Um primeiro “caderno-temático” apresentava toda a dramaticidade do abastecimento de água na região de Campinas, onde um rio – o Ribeirão Quilombo – já havia sido “assassinado” pela poluição; inúmeras indústrias foram autorizadas a se implantar sobre áreas imensas recobertas por um maciço granítico que impede a perfuração de poços artesianos;  sangrados quase de morte nos altos da Serra da Cantareira pelo sistema de captação de água para abastecer a gigantesca população da capital, alguns rios que atravessam a região de Campinas –Atibaia, Jundiaí, Piracicaba- vivem um problema perene de escassez agravado pela poluição....

        Um segundo caderno-temático serviu para denunciar o enorme desperdício de água tratada pelas companhias de saneamento; outro caderno detalhava o Sistema Cantareira e apresentava os números da sangria efetivada nos mananciais regionais... Nos demais cadernos, avançamos na importância da cobrança pelo uso da água e detalhamos o modelo de gestão introduzido na França, até hoje uma fonte de inspiração para todo e qualquer país que pretenda administrar com equidade e segurança os seus problemas de água doce, um bem finito...

        Lembro-me que um dos artigos publicados nos cadernos temáticos mostrava que, na França, o valor da tarifa pelo uso da água subia ou descia de acordo com os índices de poluição dos mananciais, num mecanismo extraordinário para incentivar a conservação por usuários e municípios...

        Outro resultado fantástico do projeto foi o modo como ele incentivou a leitura do jornal-mãe, tanto que as assinaturas da Gazeta Mercantil na região de Campinas, até então estacionadas na casa das quatro mil, disparou impetuosamente para encostar na marca de 20 mil, simplesmente um arrojo para um jornal segmentado... Muito mais gente quis acompanhar os conteúdos do Projeto Água e para isso era convencida a assinar a Gazeta Mercantil...

        Na minha modestíssima opinião, a crise que assola o meio impresso hoje em dia está também relacionada à incapacidade das empresas de comunicação em identificar os verdadeiros problemas regionais e criar mecanismos, pela via impressa, eletrônica ou presencial para, em parceria com as comunidades, atenuá-los ou resolvê-los...



Este cartaz foi feito com uma foto de satélite da região de Campinas e inserção de "tabuletas" nos pontos onde apareciam os mais graves problemas da água na região...abaixo você enxerga as "tabuletas" e suas  denúncias...



A equipe que produziu e editou o Projeto Água posa para foto ao receber o Prêmio do Comitê de Bacias do Capivari/Jundiaí/Piracicaba

10/03/2017

A vida não é um BBB

        Na véspera da eliminação, alguém perguntou a Elis se ela “seria falsa” pra ganhar um milhão e meio de reais, e ela respondeu sem hesitação:

        - Completamente!

        Emparedada, Elis foi expulsa do jogo pelo público após várias demonstrações explícitas de falta de caráter... É verdade que se trata de um programa meio bobinho, de puro entretenimento, mas é sempre bom ver a dignidade vencendo a indecência, ainda que seja no BBB...


        O que precisamos é fazer a santa indignação aflorar forte e objetiva na vida real... Aflorar amplamente. Antes que seja tarde demais!
       
        A crise brasileira é ÉTICA antes de ser política... é  difícil indicar ou  precisar qual o momento em que perdemos o pé, de modo amplo, na escala de valores do bem; estamos quase naquela fase, prevista por Rui Barbosa, em que os homens terão vergonha de ser honestos... ou de ser éticos!

        Recuperar a escala de valores que deixamos para trás é a emergência das emergências! É preciso, pois, remodelar a educação e começar, lá de baixo, a implantar uma nova escala de valores; em outras palavras, é preciso ensinar as crianças e os adolescentes que os valores éticos devem comandar a nossa vida, em todos os nossos atos, em todos os nossos gestos...

        Como ia dizendo, a situação já está para lá de crítica e eu pincei alguns episódios da vida brasileira para demonstrar o quanto a nossa escala de valores foi gravemente atacada, avacalhada, achincalhada...

PÉSSIMOS EXEMPLOS NUMA SÓ GREVE

        Comecemos pelo Espírito Santo, um estado com pouco menos de 4 milhões de habitantes... Durante o mês de fevereiro de 2017, a Polícia Militar, aquela que existe para manter a segurança das pessoas, se achou no direito de entrar em greve...


         Foi uma cusparada na Ética, pois a sociedade que é composta por homens, mulheres e crianças, esteve nas mãos de criminosos por longos 21 dias, durante os quais nada menos de 199 pessoas foram brutalmente assassinadas, número que representa um aumento de mais de dez vezes nos homicídios ocorridos no estado !

        A marca ainda mais indecorosa dessa greve foi a mobilização das mulheres dos PMs, acampadas na porta dos quartéis para impedir que seus maridos cumprissem o dever constitucional de zelar pela segurança da população... não se ouviu da boca de nenhuma dessas mulheres, uma só palavra de consolo ou de solidariedade às famílias das pessoas mortas na onda avassaladora de latrocínios que acompanhou a greve do começo ao fim...

IMORALIDADE NOS HOSPITAIS

        Esqueçamos o Espírito Santo por alguns instantes e nos concentremos na manchete do jornal Folha de São Paulo do dia 26 de fevereiro de 2017: “Hospitais premiam médicos que pedem mais procedimentos”.

        É uma maravilha, a fome se juntando à vontade de comer; mais procedimentos significam mais exames e internações... o próprio jornal ouviu especialistas – mantidos no anonimato – que alertaram que a prática, bastante comum nos hospitais particulares de todo o Brasil, pode colocar pacientes em risco e elevar o custo da saúde...

        Vemos que as práticas abusivas – em alguns casos, piores que essa denunciada pela Folha – interpenetram todos os segmentos da saúde, haja vista a recente denúncia de superfaturamento de próteses para o serviço público...

        Como se vê, o problema está na falência do ensino da Medicina no Brasil, um setor que há muito tempo, salvo algumas honrosas exceções, parece ter jogado a Ética na lata do lixo, entregando à sociedade um médico mal formado na escala de valores...

        A eficácia do modelo de ensino médico no Brasil é contestada desde o início da década de 90 (Séc. XX), quando as entidades que o representam criaram uma comissão (a Cinaem- Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico) para debatê-lo, criticá-lo e transformá-lo. 


         Extinta em 2004, (a informação é de que a comissão não resistiu às dissensões políticas que a acometeram) os objetivos da Comissão eram os de reformar os cursos de Medicina para que pudessem preparar um novo médico, mais humano e ético, mais comprometido com os seus deveres de cidadão e, portanto, muito mais capacitado para o exercício da Medicina.

        A comissão desapareceu junto com seus ideais. Algumas das sementes que plantou germinaram, mas não na quantidade que o país precisa para se livrar de médicos que operam na base do tudo por dinheiro...

TODOS PELA PROPAGANDA CRIMINOSA

        Ainda na Saúde, vejamos outros casos extremos de inversão da escala de valores... refiro-me à fila de famosos nas agências de publicidade para explorar o filão da propaganda de bebidas alcoólicas...

        Se fôssemos um país decente, estaria simplesmente proibida toda e qualquer propaganda de bebida alcoólica e de remédios... como não somos, a fila dos desavergonhados é grande...

        O Brasil foi um bom exemplo na redução do cigarro e as políticas de controle que incluíram proibição da propaganda na TV, foram responsáveis por uma queda significativa do consumo do tabagismo estimada em 30 por cento...

        Para percebermos o significado dessa redução para a saúde pública, basta prestarmos atenção no levantamento do Inca – Instituto Nacional do Câncer 
– que mostra que, pela primeira vez em muitos anos, houve uma queda significativa de mortes por câncer de pulmão no período que vai de 2005 a 2014 (no começo do período morriam da doença 18,5 pessoas para cada 100 mil e no final do período a taxa já era de 16,3)...

        Gostaria de me encontrar qualquer hora dessas com Cláudia Leite, Antônio Fagundes, Rodrigo Lombardie, Alexandre Nero, Ana Maria Braga, Ratinho, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Juliana Paes, Ana Maria Braga, Gabriel Pensador e até a ingenuazinha Sandy, entre dezenas de outros famosos que se deixam atrair pelo tilintar das moedas e aceitam propagar e incentivar o consumo de bebidas alcoólicas só pra perguntar a eles se já viram alguém morrer de cirrose hepática... 


        Eu já vi dois amigos morrer de cirrose... é uma das piores mortes que existem - vômitos incessantes, diarreias incuráveis, delírio tremis, o diabo, numa agonia que se prolonga, e se prolonga, contra a qual a medicina não tem nada a fazer  num país onde a eutanásia não é permitida...

        No Brasil, 16 milhões de pessoas são dependentes do álcool, que é uma droga socialmente aceitável. Este consumo é a terceira causa de absenteísmo (falta ao) no trabalho, o que compromete quase 5% do Produto Interno Bruto – PIB. Isso não é tudo: "Quarenta por cento dos acidentes nas empresas estão ligados ao uso de drogas", segundo Giovanni Quaglia, representante da ONU no Brasil...
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        O trânsito mata 45 mil pessoas por ano e mutila cerca de 500 mil pessoas no Brasil e a associação álcool-volante é responsável por uma parte considerável dessa matança...

        Mas as ofertas das agências de publicidade falam mais alto: depois de protagonizar a novela Império, na Globo, o ator Alexandre Nero embolsou  R$ 700 mil para rodar um só comercial de cerveja; por aí se pode estimar qual foi o cachê da cantora Cláudia Leite para fazer inúmeras aparições em benefício da mesma droga...ela já deve ter ajudado a matar de cirrose algumas dezenas de pessoas...

        No Brasil, dados de 2016 do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), revelam que a idade média do primeiro gole em estudantes do ensino fundamental (8º e 9º ano) e ensino médio (1º a 3º ano) de escolas particulares é 12 anos. 

        A cada ano, cerca de 8 mil pessoas morrem em decorrência do uso de drogas lícitas e ilícitas no Brasil. Um estudo elaborado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que, entre 2006 e 2010, foram contabilizados 40,6 mil óbitos causados por substâncias psicoativas. O álcool aparece na primeira colocação entre as causas, sendo responsável por 85% dessas mortes.


        Lembro-me que uma vez Emerson Fitipaldi se recusou a fazer um comercial que incentivaria a velocidade no trânsito... já não se moldam caráter como antigamente...

Cláudia Leite: tudo por dinheiro !
Elis, do BBB, péssimo exemplo de caráter a milhões de teleespectadores... 



Greve da PM no Espírito Santo: mulheres jogam a Ética na lata de lixo !

Mèdicos decretam o foda-se da Ética e pensam apenas na produtividade assassina !
Fila de famosos na propaganda que mata !

05/03/2017

O marido da Marieta não é marajá!

Procurei por uma resposta, não encontrei! Fui traído pela avalanche de informes da web e assim pratiquei mau jornalismo, pelo que me penitencio...


Eu mesmo noticiei que Aderbal Freire-Filho, marido da atriz Marieta Severo, fora desalojado de um emprego público na TV Brasil pelo qual recebia um supersalário de 91 mil reais por mês… descubro agora,  quase por acaso, que a resposta de Aderbal existiu sim… é longa, meio confusa, mas existiu sim...


Nela, descobre-se que o valor atribuído ao salário de Aderbal - 91 mil reais mensais -  era o valor do contrato que Aderbal assinou com  a TV Brasil para por no ar o programa Arte do Artista, do qual ele foi roteirista, apresentador e diretor geral...


A verba de 91 mil reais , reduzida para 68 mil reais no começo do ano passado por economia de custos exigida pelo governo federal, servia para pagar uma série de profissionais e serviços...


Aderbal, em sua prolixa resposta, não diz qual o valor mensal que ele mesmo embolsava e não esclarece se a sua retirada foi também reduzida com os cortes.


De qualquer modo, fiquei tentado a retirá-lo da coluna dos marajás e, pelo teor de sua resposta, incluí-lo na coluna dos “intelectuais desonestos” que assolam este país… Não por acaso, seu nome aparece na lista de 400 intelectuais que assinam o manifesto de apoio à candidatura de Lula em 2018.


A resposta de Aderbal é um verdadeiro recibo da própria desonestidade: “Essa tática abjeta de deturpar fatos, mentir e difamar é a mesma que domina o Brasil de hoje, onde o cinismo, a falta de decoro e de escrúpulos nos surpreende a cada dia” ele diz, logo no início, esquecendo-se que essa “tática abjeta” era justamente a preferida pelo partido que apoia, o PT.


O cinismo de Aderbal é mesmo infinito: “Sou de fato companheiro de uma atriz, Marieta Severo, e ela de fato é uma das atrizes que, ao lado de muitos artistas, de muitas cidadãs e muitos cidadãos brasileiros defendem a presidente Dilma Roussef e a democracia”... aqui, ele simplesmente salta sobre as evidências de que foi a Democracia que expulsou uma presidente desonesta, parceira de um ex-presidente desonesto, e colocou no lugar um vice-presidente que fora apresentado ao Brasil pelo PT...

O caso Aderbal é apenas mais um nesse rol de sem-vergonhices que fazem deste país um paraíso de saltimbancos, onde o roubo foi institucionalizado… e agora esses “intelectuais” tentam impor à Nação o  retorno do ladrão-mor... nauseante, simplesmente nauseante...


Aderbal e Marieta
Marieta e Aderbal

13/02/2017

RÉQUIEM PARA O NOSSO VELHO JORNAL!

Dois amigos queridos de Curitiba – João José Werzbitzki e Dante Mendonça – tiveram esta semana um desentendimento sério em torno do boato, persistente, de que o jornal Gazeta do Povo deve suspender sua edição impressa dentro de poucos meses. João José especulou sobre o assunto nas redes sociais e Dante Mendonça, cronista da Gazeta, ficou indignado e partiu para ofensas graves a João José, que limitou-se a divulgar um artigo do jornalista Aroldo Murá apresentando indícios de que o boato tem tudo pra ser verdadeiro...


Não deve haver nada mais triste e constrangedor para um jornalista que admitir que um jornal pode ser fechado, ainda mais se esse jornalista for Dante Mendonça, que certamente ainda não se refez da grande frustração de sua vida – a supressão da edição impressa de O Estado do Paraná (janeiro de 2011), onde construiu sua carreira, brilhante, de cartunista...


A supressão da edição impressa da Gazeta do Povo seria a sua segunda tragédia profissional em pouquíssimos anos… De qualquer modo, quem escolheu o “impresso” como sua mídia deve ter as barbas constantemente de molho… A crise que assola os impressos no Brasil e no mundo lembra uma tsunami, tão avassaladora e destrutiva quanto aquela que atacou o Japão em março de 2011 !


Como jornalista que trabalhou no impresso por muitos anos, passei quase uma década esgrimindo contra a crise, levantando em artigos um rosário de qualidades do impresso para negar a sua falência (credibilidade, versatilidade de uso, aprofundamento da informação, etc, etc), mas hoje já admito que não existe mais espaço para ele – o impresso foi batido pelo meio eletrônico e quem resistir a impetuosidade da onda corre o risco de ser arrastado e morrer submerso...


Realisticamente, vejo apenas dois jornais no Brasil em condições de ter uma sobrevida de poucos anos (não acredito que possa ser de uma década) – O Globo e o Valor Econômico, o primeiro porque será sustentado pela TV-Líder de Audiência e há algum tempo tem praticado um belo jogo de difusão eletrônica da informação; e o segundo porque está apoiado em boa segmentação da informação e é protegido pela lei que obriga a divulgação em papel dos balanços empresariais.


Todos os demais jornais impressos (e revistas de atualidade semanal) que se acautelem; a indústria do impresso tornou-se insustentável e o round  final se aproxima, é só uma questão de tempo; na briga entre João José e Dante, eu, tristemente, sou mais João José… Percebo o desespero de quem tenta manter de pé a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, e tantos outros, pequenos ou ainda grandes… Será, com certeza, uma batalha inglória… A publicidade já desistiu do impresso e a grande massa de leitores também… É triste, dolorido, a um jornalista dizer isso, mas ladies and gentleman, foi bom enquanto durou, mas acabou… A-CA-BO-U !


RASTROS AMARGOS DO FIM


Passei, creio, mais de seis meses sem bater os olhos num impresso… Quebrei o jejum há quatro dias quando minha mulher, Susana, trouxe-me um deles. Entregou-me e anunciou:


- Ganhei na rua!


Confesso que eu ainda não o abri… Está aqui, dobrado, quase esquecido sobre uma cadeira, na mesma cadeira onde jazem dois exemplares – os últimos – de Veja. Cancelei minha assinatura da revista há mais de um ano...


Já houve uma época que eu percorria várias bancas da cidade atrás de um exemplar de Veja… Olho hoje com desprezo para os exemplares que me entregaram de graça… Têm cheiro de coisa velha… Achava que os jornais de uma cidade pequena como Vinhedo (75 mil habitantes), onde moro, iriam sobreviver… hoje não acho mais, morrerão todos, democraticamente...


Convido Dante Mendonça a prestar atenção na internet – a web, meu amigo,  é simplesmente infernal!


Silenciosamente, aqui em casa, coleciono proezas da web... Me vejo a cada dia mais fascinado. Ela é demoníaca! Pegou um a um todos os meus argumentos em favor dos impressos, triturou e jogou no lixo...
Começa pela velocidade com que a informação – qualquer tipo de informação – circula na web; aprendemos com ela que é preciso saber e saber rapidamente (...na tentativa de coordenar politicamente os episódios das chacinas em presídios, o então ministro da Justiça, Alexandre de Morais, era desmentido várias vezes ao dia pelos fatos que se sucediam em Manaus, Roraima, Rio Grande do Norte, regiões hoje açambarcadas pelas redes sociais e que até há poucos anos atrás considerávamos remotas!)


Havia também o argumento de que só o meio impresso tinha credibilidade dada a sua antiga capacidade de transportar documentos, fotos, etc… Hoje, esse apelo tornou-se ridículo perto da capacidade miraculosa da web em carregar, com rapidez, leveza e ampla possibilidades de acesso, qualquer tipo de documento, imagens em movimento, vídeos, o diabo...


Falou-se com insistência que o papel seria insubstituível na análise, no aprofundamento da informação… Outro mito já devidamente triturado pela web… Opero hoje como um divulgador do material que recebo do site O Antagonista – é uma produção diária e intermitente de notícias, análises, vídeos que ajudam a interpretar os fatos… Competente, sério, uma plataforma esplêndida dirigida, gratuitamente, às pessoas que querem acompanhar a crise política e econômica do Brasil, tudo pela web… O Antagonista é uma das razões que me levaram a dispensar jornais e revistas de atualidades...


WEB É UM CANHÃO MULTIUSO


Nada do que possa ser dito aqui poderá dissecar as possibilidades da web… Tenho um sobrinho, Tiago Pimentel, que investe hoje na criação de cães da raça Iron Golden… Sua criação fica num sítio em Jacutinga, ao sul de Minas Gerais… Pois bem, seus futuros clientes podem acompanhar o desenvolvimento de suas duas ninhadas de 10 filhotes pelos vídeos, ao vivo, que ele posta diariamente no Facebook… Os compradores da carne brasileira podem hoje enxergar nossos rebanhos nas pastagens mais remotas...


A população de São Paulo acompanha ao vivo e a cores o passo a passo da gestão de seu novo prefeito João Dória pelos posts que ele despeja, diariamente, nas redes sociais… Ver, elogiar ou criticar, são as possibilidades que a web oferece ao eleitor… Em outras palavras, a web disponibiliza aos prefeitos e demais políticos brasileiros as mesmas ferramentas que oferece aos políticos de todo o planeta, inclusive ao controverso Donald Trump...


Dizia-se que o hábito de consumo de informações em papel era tão antigo (mais de dois mil anos) que nada seria capaz de destruí-lo… Mais um engano… Eu mesmo, hoje com 69 anos, um apaixonado por jornais, alguém que cresceu profissionalmente como jornalista de texto, não consigo mais nem ler e nem folhear um jornal; mais recentemente, incluí as revistas de atualidade nessa rejeição...


Tudo conspira contra o meio papel – o formato, a tinta que ainda suja as mãos, a “eternidade” para fazer chegar a você uma informação; o dispêndio insuportável da entrega, etc. etc.


Falavam-se coisas extraordinárias da portabilidade do papel, essa qualidade que era só dele de ser dobrado, colocado embaixo do braço, levado para o banheiro ou para passeios ou viagens… Hoje, recebemos informações pelo celular, que podemos levar até pra debaixo do chuveiro e ele nos avisa quando chega um dado novo...


FORÇA DA GAZETA SE EVAPOROU


Nos meus tempos de Curitiba (1976 a 1992), a Gazeta do Povo rivalizava com o Estadão em número de páginas; não sei ao certo, mas a Gazeta de domingo chegou a circular com 500 páginas; uma proeza para um jornal de província, que circulava numa cidade que ainda não tinha um milhão de habitantes… Era uma guerra, mas a Gazeta manteve por longos anos a distribuição de sua volumosa edição dominical...


Era um jornal fraco de conteúdo (a melhora só veio com a morte, em 2009, do “Editor Supremo”, Francisco da Cunha Pereira), mas indispensável para quem desejava comprar ou vender alguma coisa – carro, casa, apartamento, geladeira ou bicicleta. A Gazeta foi em seu áureo tempo imbatível em classificados e em distribuição… Todo o comércio, de bares a farmácia, tinha interesse em ajudar na distribuição do jornal…
Hoje, lamentavelmente, ninguém compra mais nada baseado em anúncios de jornal… E desde que surgiram os “malditos” aplicativos, o comércio de imóveis e carros transferiu-se para a internet...


Experimente fazer, pelo Google, alguma consulta que revele interesse em comprar um carro ou um imóvel, qualquer carro, qualquer imóvel e em qualquer lugar… As ofertas vão-lhe perseguir, implacavelmente, por todos os espaços que você ocupar na rede, por muito tempo...


Quero, antes de encerrar este artigo, compartilhar com vocês minhas observações sobre dois achados recentes na web: o primeiro é um vídeo disponível no Youtube com uma música interpretada pela rainha da “Sofrência”, Marília Mendonça, - “Meu Cupido é Gari”.


O vídeo é uma “pérola” para observar os caminhos – infinitos e extraordinários – que a web começa a abrir para a publicidade; a música é interpretada por três bailarinos profissionais, que, ao final, se transformam em garotos-propaganda de uma grife...


O segundo vídeo é para mim uma amostra perfeita da capacidade de síntese da web; o desenho de uma cabeça humana aparece semi-encoberto por uma pequena nuvem; você aciona o vídeo e a nuvem ganha vida: explodem raios e trovões e você é arrastado pra dentro de uma tempestade, com direito a chuva torrencial… Som, imagem, cenas de muito realismo, servem para sustentar um preceito filosófico: “Cuidado com as tempestades que se formam em sua cabeça, estas são as piores!”... encontrei esse vídeo por acaso na página de uma amiga espanhola do Facebook (veja abaixo)...

Vai competir com um bicho desse, hem Dante Mendonça?!








João José Werzbitzki

Dante Mendonça


No hay peor tormenta que la que se arma uno solito en su cabeza!


Meu Cupido é Gari - Marília Mendonça - Coreografia 

03/02/2017

Quem chora por Marisa?

        A morte de dona Marisa Letícia nos oferece um ótimo momento para reflexão: o poder não produz a eternidade, como muitos imaginam;  produz, às vezes, tragédias e fatalidades, como nos demonstra a ascensão e queda da Família Collor de Mello; que isto fique de alerta para os gananciosos e corruptos...

        A morte de Marisa Letícia lembrou-me outra morte feminina, a de dona Leda Collor de Mello, mãe de Fernando, de Pedro, de Leopoldo, de Ana Luíza... Dona Leda morreu em circunstâncias mais tristes, abandonada que fora – por 19 meses – em "vida vegetativa" num quarto do Albert Einstein, em São Paulo...

        Não viveu para ver a renúncia humilhante de seu filho-presidente, nem a morte de seu outro filho, Pedro, com um tumor maligno na cabeça; não viveu para assistir ao enterro de mais dois filhos, Ana Luíza, de insuficiência respiratória, e Leopoldo, de câncer... Mesmo abandonada, o destino lhe poupou de muitos outros dissabores, portanto...

        Dona Leda não teve tempo de desarmar a bomba que implodiu a permanência do filho no Palácio da Alvorada; como chefe do clã, ela poderia impedir que PC Farias entrasse na posse de um quinhão acionário das empresas de comunicação da família, em Alagoas, o quinhão que pertencia ao Filho Leopoldo Collor... Bastaria uma canetada sua para que a armação do filho-presidente fosse desfeita, mas ela adoeceu severamente antes...

        Essa história é pouco conhecida mas tem  relevância para entender o que de fato se passou. O irmão Fernando disparara na corrida presidencial e Leopoldo achou que poderia ter a sua fatia da dinheirama que entrava para financiar a campanha... Comprou a prazo um apartamento luxuoso de PC Farias, em São Paulo, comprometendo-se com prestações acima de 200 mil reais por mês. Começou a atrasar o pagamento, e PC Farias, certamente instruído pelo irmão-presidente, começou a apertar... Sem dinheiro, Leopoldo ofereceu suas ações na empresa da família em pagamento da dívida – era tudo o que  Collor e PC Farias desejavam...

        O que os dois  certamente não ponderaram é que Pedro Collor ficaria enfurecido com a ideia de ter um sócio em Alagoas com o perfil de PC Farias, “um desclassificado”, segundo proclamou de megafone em punho.

        Fernando não recuou e Pedro recrudesceu... aí vieram as denúncias pesadas contra o irmão, veio o processo do impeachment, veio a renúncia, o assassinato de PC Farias... A mãe Leda poderia ter evitado tudo, mas...

        Dona Leda era altiva, elegante, arrogante... Marisa fez o papel de mulher subserviente e de certo modo conivente com as bandalheiras dos filhos, do marido e de seu sobrinho, Taiguara, golpista na África; a história, por certo, não lhe prestará homenagens...

        Muita gente critica Marisa pelas redes sociais e várias outras clamam por respeito à morta... Cá no meu canto, sinceramente, acho que todas as pessoas que querem respeito na vida ou na morte, precisam se dar ao respeito... Não choro por Marisa e fiquei penalizado pelo fim silencioso e triste de dona Leda...

Vida que segue...

Marisa Letícia e Leda Collor de Mello