02/03/2016

Rios brasileiros, conhecê-los antes que acabem!

        O que aconteceu com o Rio Doce é o chamado aviso explícito: há pouco mais de três meses levou uma brutal cacetada que quase o mata!  Morrer, não morreu, mas ficará aleijado por muito tempo.
        Acho que não servirá de lição: pouca gente se move para punir a empresa que quase o destrói e o encobriu de lama pestilenta- a SAMARCO. Não vai demorar muito para podermos ver os nossos rios apenas em livros, como este, belíssimo, que nos presentearam os pesquisadores Evaristo Miranda e João Meirelles.
        Publico abaixo o maior número de fotos do “Rios do Brasil” para que todos contemplem tudo o que o Brasil Perderá se não banirmos da mineração empresas como a SAMARCO.

EXPULSE A SAMARCO DA MINERAÇÃO, ASSINE JÁ !
LINK:















29/02/2016

Mais de três meses sem punição!

        Eu não tenho mais dúvida: a SAMARCO vai ganhar a guerra travada contra a Sociedade Brasileira; o tempo conspira contra o Brasil e a favor da grande responsável pelo maior desastre ambiental da sua história.
        Já não se fala tanto sobre a tragédia do Vale do Rio Doce e as iniciativas que pretendiam punir a Samarco começam a perder força.
Eu mesmo não sei mais o que fazer para alavancar o abaixo-assinado pela cassação da outorga de mineração da empresa; já
fiz de tudo, compartilhei e divulguei inúmeros textos por meu blog e pelo facebook denunciando as operações criminosas da mineração no Brasil, mas não consigo superar a marca de mil assinaturas.
        Estou na iminência de desistir; se alguém tem alguma sugestão para viabilizar a iniciativa, por favor, me passe.
        A SAMARCO é muito forte, mais forte que o Brasil ainda desunido e desorganizado.
        Olho para o balanço diário que o Ministério da Verdade divulga pelo facebook e fico deprimido, num esforço enorme para não perder a capacidade de me indignar... "116 dias sem punição, maior crime ambiental da história do Brasil: 17 pessoas mortas (e duas "desaparecidas"), comunidades inteiras destruídas, lama tóxica que devastou toda a bacia do Rio Doce por mais de 600 km e continua a contaminar o oceano em extensão ainda impossível de calcular”.

Compartilhe e assine por este link:



(Secretario de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), de ES, Rodrigo Júdice, tenta amenizar uma possível punição à Samarco)





22/02/2016

Vamos pedir à Globo que devolva à Mariana o dinheiro da Samarco?

        A Samarco, que não paga indenizações às famílias que ela flagelou em Mariana, teve o desplante de gastar nada menos de TRÊS MILHÕES E TREZENTOS MIL REAIS na veiculação de uma publicidade no horário mais nobre da televisão de maior audiência do Brasil, a rede Globo. “É sempre bom olhar para todos os lados” pede a propaganda da autora do maior crime ambiental da história do Brasil, como se fosse possível enxergar nalgum lugar do Vale do Rio Doce alguma coisa de bom que tenha sido causada por ela.
       
 Ali, por todos os lados, só é possível enxergar flagelo sobre flagelo, flagelo do homem, dos animais e da natureza.
        Nesta segunda-feira  cinzenta aqui em São Paulo, tive uma idéia que gostaria de compartilhar com meus amigos e seguidores: vamos pedir à Rede Globo que devolva o dinheiro que recebeu da Samarco à população flagelada de Mariana? Pretendo lançar mais um abaixo-assinado nesta semana, aguardem.
        O Ministério da Verdade, página do Facebook destinada a publicar informações relacionadas ao desastre de Mariana, nos mostra o que seria possível fazer com o dinheiro – 3,3 milhões – pagos pela Samarco à Globo:
“A Samarco poderia ter comprado 17 casas em Bento Rodrigues, para indenizar famílias que tiveram as suas  destruídas pela mineradora, ou pagar o salário mínimo mensal acordado com o MP (e que não tem sido cumprido) a 3.750 pescadores atingidos. Ou comprado ainda 3,3 milhões de litros de água mineral para a população de cidades como Governador Valadares, que não têm água segura para consumo humano na rede de abastecimento, pois o local de captação foi totalmente contaminado pela lama”.    

Temos ainda de expulsar a Samarco da mineração brasileira. Assinem o abaixo-assinado neste link:






15/02/2016

Não podemos esquecer Mariana!

        Diz o atual Código de Mineração do País chamado Brasil que 2% do lucro das mineradoras são destinados ao trio - União, Estado e Município. É o mais baixo percentual do mundo.
        Desse modo, coube à Mariana (MG) 0,7% do lucro da Samarco, empresa que, por negligência, causou, há mais de três meses, o maior desastre ambiental da história do País. Os 0,7% do lucro da empresa corresponderam a exatos 20,2 milhões de reais em 2014, quer dizer, uma mixaria, quase dinheiro de pinga.
        A Samarco nesse ano lucrou 2,8 bilhões de reais, o quinto maior lucro empresarial do Brasil. Os acionistas, a australiana HP Billington e a brasileira Vale do Rio Doce, majoritários, embolsaram nada menos de 1,8 bilhão, ou seja, 65% dos lucros de 2014.
        Nem petróleo dá tanto lucro. Mas é o prefeito de Mariana, Duarte Eustáquio Gonçalves Júnior, que dá as regras do jogo com o velho discurso de que o fechamento da empresa trará sérios problemas sociais ao município, o que não é verdade, pois se a irresponsável Samarco fechar, outra empresa, talvez mais ética e responsável, assumirá seu lugar, instantaneamente. Devem haver razões outras para o prefeito defender com tanto ardor a empresa que arruinou o município.
        É hora de cassarmos a licença de mineração da SAMARCO. Entre neste link e assine o abaixo-assinado: https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco

(prefeito  de Mariana, Duarte Eustáquio. É ele que fala grosso.)



06/02/2016

Precisamos punir a SAMARCO

        Indenização? Ela não paga. Multas? Ela não paga, nem as pequenas do IBAMA, nem a grandona do Ministério Público, de dois bilhões de reais. Segurança técnica para impedir novas tragédias? Ela não dá, não atende nenhuma das exigências do Ministério Público e nem da Justiça brasileira. Não indeniza suas vítimas, não indeniza as cidades arrasadas.
        Ela apenas se mexe de um lado e de outro, usa a influência da sócia brasileira, a VALE DO RIO DOCE, para ver se escapa incólume do aperto. E assim, devagar devagarinho, ela vai escapando de toda e qualquer punição. Estamos falando, é claro, da empresa que atende pelo pomposo nome de SAMARCO, grande responsável pelo maior DESASTRE AMBIENTAL DA HISTÓRIA DO PAÍS. 
        Já faz três meses que o derrame de lama contaminada ocorreu e ela até agora se finge de morta, como se não tivesse nenhuma culpa pela barbárie que cometeu. 
        Que ninguém se iluda: ela tem fôlego de gato e nada de braçada na lama da corrupção, muito mais venenosa que aquela que ela, acintosamente, derramou sobre o distrito de Mariana, Bento Rodrigues. Já denunciei aqui que ela havia corrompido a maioria dos deputados que formaram a comissão que o Congresso instituiu para investigar o desastre de Mariana. Sabemos lá quem ela está corrompendo agora para tentar escapar ao cerco?
        Seus tentáculos se estendem a quase todos os partidos, inclusive ao PV (Partido Verde), que tem no DNA um compromisso de proteção ao meio ambiente.
        Já disse e repito: a única arma que  a sociedade brasileira pode ter para enfrentar a SAMARCO, empresa de capital misto entre Austrália e Brasil, é o abaixo-assinado que pede a cassação de sua outorga de mineração. Ele precisaria ter milhares de assinaturas, mas até agora não atingiu o primeiro milhar.
        Peço encarecidamente a todos que me leem que ajudem a multiplicar o apoio ao abaixo-assinado. Não podemos deixar a SAMARCO impune; cada vez mais fica claro que a punição depende de nós, só de nós. 
        A partir de agora todos os textos que eu produzir para denunciar as manobras espúrias da Samarco serão transmitidos também à embaixada da Austrália no Brasil e ao consulado geral da Austrália no Brasil.
ENTRE NESTE LINK E ASSINE JÁ:













01/02/2016

Os mistérios do clima

        Em 1983, eu cobri, como repórter dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, as enchentes do Vale do Itajaí, em Santa Catarina; a população do Vale, além de flagelada, estava perplexa. Nunca ninguém tinha visto tanta chuva e tanta água represada. O rio Itajaí-Açu que corta todo o vale subira mais de 10 metros acima da caixa.
        O consenso entre as populações das cidades inundadas é que  aquela inundação era única, inaugurava um novo paradigma de enchentes no Vale. Um professor da Universidade de Blumenau convidou-me, quando as águas baixaram, para um passeio pela cidade, totalmente devastada. Ele queria mostrar-me algumas coisas, como o velho aterro da ferrovia que atravessou incólume toda aquela aguaceira; estava transformado na única avenida trafegável da cidade.
        A ferrovia fora construída pelos ingleses no século retrasado, quando já se trabalhava – há mais de cem anos – com a referência de uma enchente daquele porte ou até maior.

        Mais recentemente, como jornalista independente, eu voltei a Santa Catarina para uma longa permanência na capital, a ilha de Florianópolis. Aos fins de semana, gostava de frequentar os restaurantes da região sul da cidade.
        Num deles, havia fotos na parede – fotos aterradoras! – do mar engolindo as praias; perguntei a um garçom se sabia as razões do fenômeno e a resposta veio imediata:
        - É o aquecimento global! Com o derretimento das geleiras lá no Polo Norte, a coisa está preta...
        Perguntei a outro garçom, e a outro, perguntei ao dono do restaurante e todos pareciam ter uma resposta combinada: é o aquecimento global, o derretimento das geleiras no Polo Norte, etc etc...
        Não tive tempo de investigar o fenômeno, passei apenas pautas para os jornais locais. A Ilha parece desconhecer aquele velho e sábio dito de que o mar um dia exige de volta o espaço que lhe roubaram. Florianópolis implantou nos últimos anos vários e extensos aterros de baías e reentrâncias para ampliar o espaço para os automóveis.

        Em 1976, eu conversava com um radialista de Tubarão, ao sul de Santa Catarina, e ele me contava histórias eletrizantes da enchente avassaladora de 1975. O time de futebol local iria jogar em Recife num domingo e ele transmitiria a partida. No sábado, viajou de carro para Florianópolis onde pretendia tomar o avião para o Nordeste.
        Antes das dez horas da manhã recebeu um telefonema da família que havia ficado em Tubarão. Sua mulher já lhe fazia apelos veementes para que não viajasse.
        A mulher foi atendida e outro telefonema informava que ele não podia mais regressar de carro: a ponte da BR 101, único acesso à cidade, havia sido levada pelas águas do rio Tubarão. É o dilúvio, presumiu, enquanto fretava um pequeno avião para poder voltar para casa. Para desviar-se da tormenta que encobria a cidade, o pequeno aparelho, monomotor, teve de subir à altura de jatos.
        Meteorologistas japoneses vieram depois estudar o fenômeno de Tubarão e constataram que o volume de chuva caído sobre a cidade foi absurdo, causado por uma série de coincidências climáticas simplesmente inacreditável. As chances de voltar a ocorrer algo assim é de uma em mais de 100 milhões, disse-me o radialista.

        Quero dizer com essas histórias que “há mais mistérios entre o céu e a terra do que imagina a nossa vã filosofia”; acho que a teoria do aquecimento global é reducionista e maléfica de um lado, benéfica de outro . Benéfica porque ajuda o mundo a reduzir as diferentes formas de poluição do ar, reducionista e maléfica porque é usada para explicar de tudo, afastando milhões de pessoas das verdadeiras causas de certos fenômenos sobre as quais poderiam agir. A preocupação em salvar o planeta ocupa em certos casos todo o tempo que deveria ser empregado em salvar o rio, a fauna, a mata, a biodiversidade.
        Já disse e repito que o país que não consegue salvar seus rios, a exemplo do que aconteceu em Mariana (MG), deveria ter vergonha de dizer que deseja salvar o Planeta. Quis dizer que o país investe energia, tempo e dinheiro para estudar o aquecimento global, e não se indigna com o que aconteceu em Mariana, não na escala que teria de se indignar.
       
        A Samarco, a grande responsável pela tragédia de Mariana, é claro, não pode continuar minerando no Brasil. É hora de cassarmos sua outorga de mineração antes que ela provoque mais um desastre. Assine o abaixo-assinado:


(Enchentes do Vale do Itajaí, em 1983 - Santa Catarina)

(Casa derrubada pela força do mar, Praia da Armação - Florianópolis)

(Enchente em Tubarão SC – 1975)

(Tragédia em Mariana causada pela Samarco – 2015)

26/01/2016

O clima e a mentira que parece verdade

        É preciso muita perspicácia para interpretar as informações que recebemos, agora em profusão pela internet. Muita “mentira que parece verdade” vem junto com os pacotes informativos e é muito difícil separar o joio do trigo. E a mídia – toda ela – é muitas vezes venal e criminosa.
        Vejam o caso do CFC, lembram-se? Foi-nos vendido como um veneno que destruía a camada de ozônio e assim permitiria que os raios ultravioletas atacassem a humanidade e matassem a todos de câncer. Pois bem, hoje não se fala mais nisso e todos aceitamos pagar vinte e tantas vezes mais pelo substituto do CFC. Tudo não passou de uma jogada da indústria para elevar o preço do gás do frio, ela que estava encurralada pelos preços antigos e ridículos do CFC (sigla também usada para designar compostos de clorofluorcarbonos, o popular gás de geladeira).
        Quem pela primeira vez me alertou para a tramoia da indústria de CFC foi Luiz Carlos Molion, professor-meteorologista e pesquisador da Universidade de Alagoas e um cientista sério, profundo, respeitável; é ele que nos tem alertado para outra possível tramoia ainda em curso: a teoria do efeito estufa ou do aquecimento global.
        Eu sempre fiz um esforço danado para acreditar na teoria do efeito estufa, segundo a qual têm-se acumulado gases de carbono na atmosfera, resultado da queima de petróleo em toda parte e esses gases é que passaram a influenciar os níveis de temperatura no planeta, mais que o sol, mais que os oceanos; é difícil, muito difícil, engolir isso. Tenho preferido, até segundo prova irrefutável em contrário, ficar com os dizeres de Molion, para mim muito mais coerentes.
        Ele nos diz: “O CO2 – monóxido de carbono, grande vilão do aquecimento global – é o gás da vida, sem ele não existiria vida na Terra”, “A temperatura do Planeta é determinada de baixo para cima e não de cima para baixo, como pregam os defensores do efeito estufa”, “Sol e os oceanos influenciam fortemente a temperatura na Terra, muito mais que qualquer outro fenômeno”, etc, etc, etc.
        Os fenômenos extremos – seca, furacões, inundações, etc – sempre fizeram parte da vida do planeta, com maior ou menor intensidade e frequência, a depender de aquecimentos e resfriamentos dos oceanos (El Ninõ, La Ninã) e dos ciclos do sol, que produz mais ou menos energia ao longo do tempo. É o que prega Molion, sempre muito solitário.
        Por que o surgimento da teoria do efeito estufa com tanta força e tanto apelo de marketing? O próprio Molion não sabe ao certo, tem apenas suspeitas: as reservas de petróleo do planeta estão perto do fim e é preciso impedir que os países produtores deem as cartas sozinhos, pois colocariam o preço do produto na estratosfera. A teoria do efeito estufa serviria, portanto, para reduzir a dependência mundial do petróleo e enfraquecer o poder dos países produtores.
        Minha visão do clima é, eu diria, mais pragmática: o desmatamento feérico da região de Campinas, por exemplo, fez com que a temperatura regional subisse pelo menos dois graus, na média. Isto é crível, porque é perceptível: a cultura de café desapareceu da região porque as plantas, devido ao calor, não retinham mais as flores e a produtividade desabou.
        Uma pesquisa de campo já concluiu que a poluição do ar tem reduzido a expectativa de vida do morador de São Paulo em pelo menos dois anos. Também é crível e se pode constatar pelas dificuldades respiratórias de quem circula pelas avenidas marginais da cidade, com seu trânsito congestionado durante várias horas ao dia.
        O Vale do Rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo, nunca mais conseguirá recuperar sua biodiversidade depois do desastre criminoso provocado pela mineradora Samarco. Já não se pode duvidar disso.

        A Samarco, é claro, não pode continuar minerando no Brasil. É hora de cassarmos sua outorga de mineração antes que ela provoque mais um desastre. Assine o abaixo-assinado:





22/01/2016

Licenciados para matar!

        É tudo absurdo: o presidente da SAMARCO, Ricardo Vescovi, e o diretor de Operações da Empresa, Kleber Terra, pediram licença (remunerada, é claro) de seus cargos para melhor poder se dedicar às suas defesas. Ambos são acusados de crime ambiental, pois a empresa que administravam foi a grande responsável pela tragédia de Mariana (MG).
        Isto é o Brasil, pois se estão na Austrália, país de origem da sócia majoritária da Samarco – BHP Billinton – Vescovi, Terra e vários outros executivos da empresa, já teriam cumprido pelo menos duas semanas de prisão. Esse pedido de licença é puro deboche de quem ainda vai dar o drible da vaca na Polícia Federal. Fica mais fácil “desaparecer” fora de suas funções.
        Os absurdos continuam: ao informar sobre o licenciamento dos dois, a SAMARCO, em nota, diz que seu atual diretor Comercial, Roberto Lúcio de Carvalho, assume a presidência da empresa “interinamente” e – pasmem! – o seu diretor de projetos e ecoeficiência (!!!), Maury de Souza Júnior, ocupará a diretoria de operações. A SAMARCO, portanto, tinha um diretor de ECOEFICIÊNCIA, que não foi demitido depois do maior desastre ambiental da história do País, ficou na moita até agora para aparecer hoje promovido.
        Há ainda a informação de que a Samarco sabia que a barragem de Fundão – rompida – estava comprometida há pelo menos dois anos.
        Agora faço a pergunta que não quer calar: uma empresa como essa tem condições de continuar minerando?
        Precisamos cassar sua licença de mineração antes que ela cause ainda mais tragédias. Assine já o abaixo assinado para caçar a outorga de mineração da Samarco! Segue link abaixo:




(Ricardo Vescovi e Kleber Terra respectivamente)

17/01/2016

O resgate da dignidade brasileira

        Um leitor – Ruy Moraes – informa pelo Facebook que apoiou o abaixo-assinado de minha iniciativa pela cassação da outorga de mineração da SAMARCO e pediu a seus seguidores para também assinar, mas revelou-me preocupações com o possível surgimento de problemas sociais em Mariana (MG) caso a empresa seja fechada. Passei uma noite matutando sobre o assunto até decidir escrever este artigo.
        O abaixo-assinado, caso consiga milhares de assinaturas, deve representar o início do resgate da dignidade do Brasil diante da atividade mineradora; mais uma vez, essa dignidade foi duramente enlameada por um desastre que afronta os mais elementares interesses da Sociedade Brasileira. Faz mais de dois meses que ele aconteceu e nenhuma pessoa foi presa, nenhuma multa foi paga e os responsáveis tentam dar o drible da vaca nos órgãos fiscalizadores. E vão continuar tentando até conseguir sair ilesos e impunes dessa imensa tragédia.
        Esse desastre, pela magnitude, deve representar – eu espero – a gota d’água que fará o copo da tolerância da Sociedade Brasileira  a desmandos na atividade mineradora transbordar, se é que queremos mesmo resgatar nossa dignidade.
        Faz muito tempo que empresas multinacionais como a SAMARCO (Mariana-MG) e a KINROSS (Paracatu- MG) trabalham na mineração do Brasil como se estivessem numa republiqueta das  bananas, matam gente com extrema crueldade, destroem a natureza, corrompem nossas instituições – todas elas, a começar pela Câmara de Vereadores – e, enfim, praticam crimes que jamais seriam minimamente tolerados em seus países de origem, Austrália e Canadá, para ficarmos em exemplos mais gritantes.
        Quero dizer a Ruy Moraes e a todos que apóiam o abaixo-assinado para não se preocuparem, caso a outorga de mineração da SAMARCO seja cassada. Não vai acontecer nada de mais grave em Mariana, pois é evidente que a Vale do Rio Doce assumirá o comando da mineração de ferro na mesma intensidade e assumirá também todo o passivo deixado pela Samarco. Não vai querer perder a “galinha de ovos de ouro”. Perto do que é possível ganhar com o ferro mineiro, assumir o passivo do desastre é como gastar dinheiro com pinga.
        O abaixo-assinado, uma vez vitorioso, servirá para botar medo na própria Vale do Rio Doce, que há muito tempo briga também contra os interesses da Sociedade Brasileira , seja como sócia da SAMARCO, seja pela corrupção de nossas instituições, seja ainda por ter imitado o grupo Lume - ela, a Vale, também está sentada há várias décadas sobre as jazidas de potássio do Sergipe sem andar e nem sair de cima, obrigando o país a gastar fortunas cada vez maiores na importação do produto. (http://osobreviventeavc.blogspot.com.br/2015/12/historias-nada-exemplares-da-nossa.html).

        A Sociedade Brasileira, que segundo a Constituição de 1988, é a legitima dona das reservas minerais do país, precisa assumir o comando da atividade mineradora e isto só poderá ser alcançado com a pressão de milhares de assinaturas – ou milhões, por que não? – neste nosso abaixo-assinado pela cassação da licença de exploração mineral concedida à Samarco. Sem coerção não haverá solução e a empresa sequer assumirá seus compromissos de reparação dos danos que ela, por pura negligência, provocou. É viver para conferir!

Vamos liberar o Brasil das garras da Samarco?

Vamos liberar o Brasil das garras da KINROSS? 

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Vamos propagar esta ideia!
Entre no link abaixo para assinar:

13/01/2016

Insanidade em Mariana


A SAMARCO é também uma empresa insana. Ajude a tirar dela a licença de mineração em território brasileiro; 

ASSINE O ABAIXO-ASSINADO, entre no link abaixo:
https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco

07/01/2016

A lama vem aí

Acabou-se o que era doce
O rio
Acabou-se o Rio Doce

Corre corre Emanuele
Corre Ana Clara
Corre Thiago
Corre dona Maria Elisa

QUE A LAMA VEM AÍ

Corre Cará, corre Cascudo
Corre Jundiá, corre Jundiaí

QUE A LAMA VEM AÍ

Corre pintado, corre Dourado,
Corre corre Lambari

QUE A LAMA VEM AÍ

Corre Cachorro, Corre Cavalo,
Corre corre Quati

QUE A LAMA VEM AÍ

Corre jacarandá-cabiúna,
Corre braúna, corre  palmito
Corre, corre que corre seu Dito

QUE A LAMA VEM AÍ!

E a lama chegou tão rápida e tão sorrateira, tão devastadora, que não houve tempo pra nada. Nem pra correr!


ASSINE JÁ! ENTRE NO LINK ABAIXO:
https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco










04/01/2016

A Gigantesca Paisagem Lunar do Brasil

        Pense no gramado do Pacaembu ou num campo de futebol qualquer que você conheça; agora multiplique esse quadrado por mil, eu disse por MIL. Esse é o tamanho da área que formou durante mais de duas décadas a PAISAGEM LUNAR BRASILEIRA. Permaneceu assim, estéril, cheia de veneno, por mais de 20 anos. É o resultado da mineração a céu aberto em Siderópolis, uma graciosa cidadezinha do Sul de Santa Catarina.
         Foi o serviço da Marion, uma dragline utilizada pela CSN - Companhia Siderúrgica Nacional na mineração a céu aberto. A CSN retirou o minério, encheu as burras de dinheiro e se mandou. Deixou a Paisagem Lunar como testemunha de seu crime  na extração do carvão mineral.
         É um retrato do “jeito de ser” da mineração no Brasil. O Ministério Público passou quase 20 anos brigando para conseguir que a CSN e várias outras mineradoras promovessem a reestruturação do solo, que antes da mineração era fértil.
         Atenção Mariana (MG): a mineração do carvão no sul de Santa Catarina trouxe grandes benefícios apenas aos mineradores; os municípios ficaram com migalhas. O IDH de Santa Catarina, na média dos municípios, figura entre os mais altos do Brasil. Já nas pequenas cidades do Sul do Estado – Siderópolis, Urussanga, como exemplos-- o IDH está entre o baixo e o baixíssimo. Única exceção no sul catarinense é Criciúma – IDH acima da  média do estado – mas porque o município diversificou sua indústria. A cidade tem um dos maiores pólos de cerâmica do país e também um avantajado pólo de confecções.
         Resumo da ópera: os municípios brasileiros que dependem da mineração para sobreviver devem inventar, urgentemente, outras fontes de renda. Não é recomendável ficar dependentes de uma só atividade especialmente se for uma atividade de mineração. Esta é capaz de matar de câncer (Paracatu- MG, Kinros), de pneumoconiose (mineração do carvão, sul de Santa Catarina), soterrar de  lama pessoas, animais, rios e matas nativas  (Mariana e todo o Vale do Rio Doce-MG) para depois ir embora com as burras cheias de dinheiro e sem se importar  com os problemas que deixa para trás. São histórias que se repetem à exaustão neste Brasil varonil.

A HORA É A DE CASSARMOS A OUTORGA DE MINERAÇÃO DA “SAMARCO”  ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS: https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco


 Paisagem Lunar do Brasil no Sul de Santa Catarina--Siderópolis

30/12/2015

A Samarco não merece respeito

        Talvez porque não tinha nada para preencher o buraco deixado pelo fim do CQC, a Bandeirantes fez lá um salamaleque e pos no ar, nesta segunda-feira 28 de dezembro, uma síntese das denúncias que o programa havia feito da atuação da Samarco, a responsável pelo maior desastre ambiental da história do país, em Mariana (MG).
        A prosopopéia serviu ainda para combater os boatos de que havia o dedo da empresa no desaparecimento do CQC. Pode ser também uma reação dos donos da marca do programa, argentinos, ao modo abrupto, intempestivo e desrespeitoso com que a emissora retirou o programa do ar.
        De qualquer modo, o fim do programa beneficia a empresa belgo-brasileira que não merece nenhum respeito no Brasil pelo que fez ao Vale do Rio Doce.

        Vamos varrer a influência da SAMARCO da face do Brasil; apoie o abaixo-assinado pela cassação da sua outorga de mineração:

(Equipe de resgate rasteja em lama à procura de vítimas em Mariana)

23/12/2015

O último CQC

       Foi triste. Dan Stulbach, Marco Luque, Rafael Cortez, Juliano Dip, Lucas Salles, Maurício Meirelles e Erick Krominski fizeram, nesta segunda-feira, dia 21 de dezembro de 2015, o último Custe o que Custar, o CQC, incomparavelmente o melhor programa da TV brasileira; todos eles, exceto Juliano Dip e Erick Krominski, riram e fizeram rir do próprio desemprego.
        Juliano Dip encerrou sua participação com coragem e audácia: tudo o que deve ter sido proibido de dizer da Samarco, descarregou sobre outra mineradora (tinha de ser uma mineradora!) – a Kinros,  que extrai ouro das terras de Minas Gerais (Paracatu, a noroeste do Estado), exporta para o Canadá e deixa nuvens de arsênio (um veneno pra lá de cancerígeno) de presente para a comunidade.
        Erick  Krominski foi com uma equipe de cinco pessoas mostrar a insegurança nos ônibus de Paraty, ela mesma, a “encantadora” cidade do litoral sul-fluminense que todos os anos abriga a maior festa literária do Brasil, a Flip. Há poucas semanas, 16 pessoas foram atropeladas e mortas num ponto de ônibus da cidade. Krominski foi à prefeitura cobrar providências para as questões de segurança no transporte coletivo e foram recebidos, ele e toda sua equipe, a socos e pontapés. Tudo na frente do prefeito Carlos José Gama Miranda, o popular Casé, que ainda em maio diz ter sido vítima de um atentado, quando levou dois tiros.
        O último CQC nem mencionou o nome da Samarco. Curiosamente, o programa vinha apresentando a melhor cobertura do MAIOR DESASTRE AMBIENTAL do País, causado por negligência da empresa belgo-brasileira, que em 2014 teve nada menos de US$ 2,5 bilhões de lucro. Seria capaz de apostar que há o dedo dela no desaparecimento do CQC.
        O fim do CQC deixa a televisão brasileira bem mais pobre.

VAMOS REDUZIR A INFLUÊNCIA NEFASTA DA SAMARCO NA VIDA BRASILEIRA. ASSINEM O ABAIXO-ASSINADO:


19/12/2015

Mariana: saldo tenebroso!

        A mídia – jornais, TV, sites noticiosos – já começa a esquecer o MAIOR DESASTRE AMBIENTAL da história do País de modo que Mariana (MG) vai ficar lá, destruída, violentada, pisoteada, enlameada e logo mais ninguém vai se lembrar dela, como se nada tivesse acontecido. A vida seguirá “normal” em toda parte, a presidente continuará no cargo a prometer punição drástica aos infratores, as entidades ambientalistas farão mais reuniões se comprometendo a salvar a TERRA da destruição, todos se esquecerão de que um País que não consegue salvar um rio deveria ter vergonha de revelar suas pretensões de salvar o Planeta.
        As informações sobre as multas já aplicadas à SAMARCO são desencontradas e não é de todo improvável que ela mesma, a empresa, ajude a espalhar notícias desencontradas com o objetivo de confundir a opinião pública e, assim, mais uma vez, conseguir escapar ilesa, sem nenhuma punição.
        A verdadeira punição para a monstruosidade que ela cometeu é a cassação de sua outorga de mineração, como pede o abaixo-assinado: https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco

        Ainda é cedo para fazermos um balanço da destruição causada pelo MAIOR ACIDENTE DA HISTÓRIA DO BRASIL. Já se  sabe, por exemplo, que a lama da SAMARCO fez desaparecer para sempre algumas espécies de peixe endêmicas, ou sejam, encontradas apenas no Rio Doce; há também algumas espécies de plantas só encontradas nas matas ciliares desse rio e que foram duramente atingidas; entre estas, estão o jacarandá-cabiúna, a braúna e o palmito. Segundo o Ibama, a lama causou a destruição de 1.469 hectares de mata nativa.
        Segundo a revista Época, os animais continuam assustados na região da tragédia. Muitos morreram, muitos se feriram e alguns chegaram a ser "petrificados" pela lama ressecada de rejeitos de minério.
        Um grupo de ONGs e voluntários dos direitos dos animais, no entanto,  tenta resgatar a maior quantidade de bichos possível. Eles se uniram ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) para tentar arrecadar recursos e organizar melhor esse atendimento, crucial para a saúde dos animais.
        ÉPOCA conversou com Vania Nunes, diretora técnica do FNPDA, sobre esses esforços. Segundo ela, 300 animais foram resgatados. Veja trechos da entrevista:

ÉPOCA - Como funciona a operação de resgate dos animais em Mariana?

Vania Nunes - Eu estou em contato com a doutora Ana Liz Bastos, da ONG Associação Ouropretana de Proteção Animal, que é parte do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. Ela foi para lá na noite do acidente, e realmente a situação era bem crítica. Logo que eles chegaram, não puderam entrar, estava tudo molhado, sujo, tinha a Defesa Civil. Quando amanheceu, algumas pessoas já vinham com animais. Esses foram os primeiros a ser atendidos. Tinha cachorro, galinha, passarinho, gado. Os animais estavam muito assustados, muitos sujos, alguns feridos. Elas prestaram esses primeiros atendimentos. No começo, os animais foram para o centro de zoonose de Mariana, que era o local mais próximo. Os que tinham dono, à medida que as pessoas foram realocadas em casas ou hotéis, os donos levaram. Mas para você ter uma ideia tinha cavalo, porco, galinha, não tinha como as pessoas levarem todos.

ÉPOCA - Houve um atendimento inicial, de emergência? Qual era o estado dos animais?

Vania Nunes - Eles estavam muito assustados. Se foi uma cena dantesca para as pessoas, também foi para os animais. Eles são capazes de perceber que aconteceu uma coisa muito ruim. Quando a água desceu, estava muito fria. Então a primeira coisa foi hidratar os animais e tentar aquecê-los. Tirar a lama, que estava ressecando, ficando dura que nem uma pedra. Limpar, porque aquele minério pode ser absorvido e intoxicar o animal. Se eles estavam bem, em ordem, já recebiam vacina, vermífugo, coleiras. Mas não vai achando que os animais eram todos dóceis, calmos, é só pegar e ir embora. Às vezes tem trabalho para abordar o animal, porque ele esta com medo, assustado. Tem que ser uma ação multiprofissional. Sem isso, você não consegue fazer nada.

ÉPOCA - O foco do resgate é em animais domésticos, certo?


Vania Nunes - Animais domésticos não são só os de estimação. Porcos, galinhas, gado, são muito importantes para as famílias. Lá é uma região rural, que tinha grande quantidade de animais. Um dia salvaram um monte de galinhas, vieram com elas debaixo do braço. No domingo, foram resgatados cinco cavalos. Muitos animais, principalmente bois e cavalos, ficaram presos na lama. A lama foi endurecendo e eles ficaram solidificadados ali, vivos. Muitos animais precisaram ser eutaniziados ali, infelizmente. A situação é caótica. As pessoas falam "é gato, cachorro", mas não é só isso. É muito importante, pra quem tem uma galinha, tem um porco, e aquilo é uma fonte de subsistência para ela, ter certeza que aquilo é um recurso que ela ainda tem, porque elas perderam tudo. Isso pode ser uma forma de ajudar essa pessoa a pensar que ainda tem perspectiva de recuperar de alguma forma a vida que tinha.

(Animais salvos no desastre de Mariana)





17/12/2015

Juliano Dip não tinha culpa!

        O último CQC estava bastante estranho. Apresentadores falavam em pedir emprego na Globo; repórteres, entre os quais o valoroso Juliano Dip, mostraram-se tensos, parecem ter participado do programa por dever de ofício, fizeram tudo sem emoção, burocraticamente. Não demorou muito para surgir a notícia: o CQC vai sair do ar em 2016 para só voltar, se voltar, em 2017.
        Eu vi aquilo decepcionado, achando que a emissora (Band) havia cedido ao tilintar das moedas da SAMARCO, atacada com a virulência do bom jornalismo nos programas anteriores, que vinham apresentando a melhor cobertura da TV sobre a tragédia de Mariana.
        Não titubeei em desancar o pau no programa, na Band, e no pobre Juliano Dip, chamado por mim de “fanfarrão” em artigo anterior. Peço desculpas a ele e a toda equipe do programa, que eu sempre admirei.
        Farejei pressão da SAMARCO sobre a emissora, o que não é nada improvável que tenha acontecido. Essas coisas são invisíveis e não deixam rastros; ficaremos sabendo muito tempo depois.
        Não nos esqueçamos que a sócia da SAMARCO é a Vale do Rio Doce, que foi privatizada lá atrás, mas devagar devagarinho veio se aninhar mansamente no colo do PT. Personalidades do partido não conseguiam viver sem os afagos (pixulecos) da Vale. É pois uma empresa demasiadamente influente para ser atacada por “um bando de engraçadinhos” a serviço de uma emissorazinha de TV qualquer.
        Já escrevi aqui neste blog que as emissoras de segunda linha, como poderiam ser chamadas BAND, RECORD e SBT, têm muita dificuldade em competir com a líder de audiência, pois não possuem uma estratégia competitiva clara e definida como seria exigível. Agora mesmo, a BAND tira do ar um programa, o CQC, que ao lado do PÂNICO havia conquistado a audiência de milhões de jovens que pouco se interessam por TV. Ela mesma, a emissora, não deve ter descoberto a importância dessa conquista.
        A justificativa para o programa sair do ar é que sua audiência havia caído muito. A BAND imitou aqueles sertanejos, tão bem descritos nos romances de Graciliano Ramos, que atiravam nas aves migratórias por achar que elas, que chegavam naquelas terras sempre antes de uma longa estiagem, é que traziam a seca.
        Atirar numa equipe de boa qualidade é fechar os olhos para as péssimas invenções da emissora, como aquele horrível CQC 3.0, feito só para retardar, inexplicavelmente, a entrada no ar do verdadeiro CQC. Não há  audiência que possa se manter incólume com tamanha besteira como essa.
ACABEM COM A INFLUÊNCIA NOCIVA DA SAMARCO! ASSINEM O ABAIXO-ASSINADO PELA CASSAÇÃO DE SUA OUTORGA DE MINERAÇÃO: https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco

Errei, desculpe cavalheiro Dip ! 

16/12/2015

E o CQC, hem? Já fugiu de Mariana

        Era muita indignação pra ser verdade. Menos de 15 dias depois de o CQC baixar em Mariana com raiva e ímpeto de bom jornalismo, esqueceu o assunto na maior cara dura, depois de haver prometido ir até o fim. O dim-dim da SAMARCO deve ter falado mais alto.
        E o bobo aqui acreditou que era pra valer, mandou e-mails para o “destemido” Juliano Dip, para o PROTESTE JÁ!, sonhando em conquistar uma mídia de massa para apoiar o seu abaixo-assinado pela cassação da outorga de mineração da criminosa SAMARCO.
        Era tudo de mentirinha, o repórter Juliano Dip não passava de um fanfarrão à procura de alguns minutos de fama. Depois de “enfrentar” um executivo da SAMARCO em Mariana, e falar grosso, afinou a voz, virou uma doce gatinha já no último CQC, pautado para cobrir uma bobagenzinha qualquer no Congresso, em Brasília.
        A TV Bandeirantes deveria mudar o nome do CQC (Custe o Que Custar) para MQG (Me Engane Que Eu Gosto).

ASSINEM O ABAIXO-ASSINADO. VAMOS MOSTRAR QUE É POSSÍVEL VENCER ESSA BATALHA SEM AJUDA DO CQC!  https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco


(Vem, vem que eu já estou correndo!)

11/12/2015

Histórias nada exemplares de nossa mineração (III)

        Ganha um doce quem adivinhar quem foi a Marion. Ela morreu no início dos anos 90, mas enquanto esteve viva! Nossa Senhora! Pintou e bordou na mãe natureza e sem dó nem piedade.
        Ela destruiu mil hectares (eu disse MIL) de terras férteis no município de Siderópolis, no sul de Santa Catarina. Só eucalipto cresce nos lugares por onde ela passou e olhe lá. Há lagos contaminados com rejeitos de carvão mineral que são puros reservatórios de veneno. O solo ali tornou-se pestilento!
        Mas, afinal, quem foi a famosa Marion? Foi uma drag-line ou simplesmente draga de proporções gigantescas; tinha uma caçamba que media 23 metros cúbicos e uma lança (guindaste) de 70 metros de altura. Eu já a vi em operação: o guindaste erguia a caçamba lá para cima e depois a soltava. E ela, a caçamba, caia de boca no solo.  A operação chegava a provocar tremores na terra. Depois vinham escavadeiras e caminhões para remover o material arrancado do solo numa só paulada.
        Foi a maneira portentosa que a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), estatal do aço, encontrou para retirar o carvão mineral que ali em Siderópolis surgiu em pouca profundidade; foi necessária apenas uma metodologia do tipo “arrasa quarteirão” para arrancar o carvão e deixar tudo revirado; a imensa área “trabalhada” pela Marion chegou a ser conhecida no mundo inteiro como “a paisagem lunar brasileira”.
        Como se vê agora em Mariana, os homens da mineração brasileira detestam a natureza e o meio ambiente. Amam as burras cheias de dinheiro!
        Não foi apenas a CSN que cometeu esse tipo de crime ambiental no Sul de Santa Catarina: outra criminosa, na exploração do carvão mineral a céu aberto, foi a Treviso, que chegou a usar cinco dragas no estilo da Marion, mas de porte menor. A regra era arrancar o carvão e tchau, deixar o solo naquela condição deplorável.
        As dragas só desapareceram do Sul catarinense depois de 1990, quando o presidente Fernando Collor (ele mesmo!) suspendeu a lei criada por Getúlio Vargas que tornava obrigatório às siderúrgicas nacionais usar 20% de carvão mineral brasileiro para alimentar seus fornos. Com o fim da obrigatoriedade, a atividade mineradora do Sul de Santa  Catarina entrou  em recesso e interrompeu aquele ciclo irracional que poderia ser chamado de “a farra do carvão”.
        A farra do carvão, bem pior do que aquela outra invenção catarinense, “a farra do boi”, não se restringiu às imensas áreas de exploração à céu aberto. Toda a atividade mineradora da região prosperou de costas viradas tanto para a natureza quanto para o homem. Em artigo anterior, denunciamos a morte de milhares de homens atacados por pneumoconiose. Não falei das atrocidades cometidas contra o meio ambiente.
        O carvão sai da mina envolto num rejeito chamado de pirita, puro veneno. Pior que isso: a pirita reage com a chuva e libera uma fumaça branca (gás sulfídrico) com cheiro de ovo podre; as populações de Criciúma, Siderópolis, Lauro Muller e tantas outras localidades da área carbonífera passaram anos e anos respirando aquele cheiro de ovo podre, pois havia montanhas de pirita por todos os lados.
        A recomposição de áreas e recursos naturais degradados pela mineração carbonífera é uma atividade super complexa - (segue link com detalhamento: (http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/1674/1/Tiago%20Alexandre%20Manenti%20Silvestrini.pdf) - mas o Ministério Público Federal impôs esta obrigatoriedade a todas as empresas infratoras do Sul catarinense em 1993. Mais da metade delas não levou a exigência a sério, de modo que só em 2007 ficaram prontos os projetos que tentavam reestruturar tudo aquilo que foi destruído. Com a lentidão presumível, muita coisa foi feita nesses últimos dez anos.

SÃO HISTÓRIAS QUE TORNAM INADMISSIVEL A CONTINUIDADE EM MINERAÇÃO DE EMPRESAS, COMO A SAMARCO, QUE OPERAM SEM A MENOR POSTURA ÉTICA.
ASSINEM MEU ABAIXO-ASSINADO PELA CASSAÇÃO DA OUTORGA DE MINERAÇÃO À SAMARCO: 

https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco


(Ei-la: a Drag-line Marion em plena atividade. É só destruição!)


(Paisagem Lunar de Siderópolis, como ficou conhecida no mundo inteiro a área destruída pela Marion)

(Ela, em seu tempo, era imbatível: foi a maior Drag-line do Mundo)



07/12/2015

Histórias nada exemplares da nossa mineração (II)

        Morrer de pneumoconiose é mais do que terrível ! Acho que nem os chineses, inventores das técnicas mais sofisticadas de tortura, pensaram em algo assim, tão atroz.
        Pois bem, os mineradores de carvão do sul do Brasil, hoje homens que devem figurar na galeria dos seres mais ricos do país, mataram várias gerações de mineiros de pneumoconiose... e sem nenhuma piedade!
        Pode-se dizer que a pneumoconiose é uma doença profissional que ataca, por exemplo, os mineiros que trabalham nas minas subterrâneas de carvão mineral. Para quem não sabe, o carvão mineral aparece em veios horizontais extensos e a uma profundidade que no sul de Santa Catarina (região de Criciúma) atinge em torno de 100 metros.
        O veio do carvão mineral tem quando muito um metro e meio de altura; para extraí-lo, os mineiros fazem furos em cima do veio e enfiam neles bananas de dinamite; depois, explodem.
        Eu já assisti a uma dessas explosões. Elas levantam tanta poeira que o ar parece ter ficado sólido; deixar homens respirando aquele ar é um crime pra lá de hediondo.
        Depois de alguns meses respirando pura poeira, surge a pneumoconiose; é um pequeno grânulo, do tamanho de um grão de arroz, feito de pura sílica, que se instala nos dois pulmões, um em cada. A sílica, componente de quase toda a crosta terrestre, é fibrogênica. O organismo tenta expulsar o grânulo, não consegue e vai envolvendo-o de fibra, em expansão contínua até tomar todo pulmão. A evolução é lenta, pode levar em alguns casos três ou quatro anos.
        Eu já toquei um pulmão atacado pela doença: tem a consistência de um tijolo ou algo assim, como se fosse uma pedra. Também já estive com vários homens atacados pela pneumoconiose em diferentes estágios da doença. Um deles estava hospitalizado, em estado terminal: “De repente, meu coração começa a soquear, soquear... dá impressão que vou morrer”, ele me disse com a voz ofegante, puxando pelo ar que não aparecia.
        Outros três eu fui visitar na Praia do Rincão, a mais próxima de Criciúma. Têm todos algumas características em comum: são ainda jovens, musculosos, bonitos. Todos condenados à morte com menos de 35 anos. Podem sair da mina, mas a doença continua avançando até deixá-los absolutamente sem respiração. Parece coisa do demônio.
        Foi em 1988, eu estava em Criciúma num barzinho quando vejo um jato cruzar o céu, fazendo um risco branco em quase toda abóbada celeste. Pessoas que estavam próximas de mim comentaram com naturalidade: “Lá vai o Guglielmi, talvez para mais uma reunião de negócios em Brasília”. O Guglielmi (Santos Guglielmi, falecido em 2001), eu já sabia, era uma espécie de “Rei do Carvão”, dono de várias minas na região de Criciúma. Provoquei uma senhora que estava sentada a meu lado: “Ele tem muito dinheiro?” e ela deu uma resposta do tipo inesquecível: “Olha, meu filho, se juntarmos todas as escrituras dos imóveis desse homem, podemos encher uma piscina olímpica!”
        Não acho que ganhar dinheiro seja crime, mas tenho um dado do tipo também inesquecível: as minas de carvão do sul de Santa Catarina foram mecanizadas durante a década de 70; unidos, os empresários foram às compras no exterior; por medida de economia não trouxeram os equipamentos destinados a combater o pó nas frentes de extração, como aspersores. Não é preciso dizer mais nada, não é?

BOM, MEUS AMIGOS E MINHAS AMIGAS: NOSSO ABAIXO-ASSINADO JÁ PASSOU DAS 200 ASSINATURAS; PRECISAMOS MANTER A CHAMA ACESA ! A VITÓRIA NA CASSAÇÃO DA OUTORGA DA SAMARCO SÓ ACONTECERÁ COM MILHARES DE ADESÕES.
SEGUE LINK: 
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04/12/2015

Histórias nada exemplares da nossa mineração (I)

        Chamava-se Grupo Lume porque tomava as iniciais do nome de seu dono, Lynaldo Uchoa de Medeiros, um dos maiores estelionatários deste país. Em Pernambuco, seu estado natal, antes de galgar a carreira dos grandes ladrões nacionais, já dava demonstrações explícitas de sua arte – a esperteza: aproximava-se de um alto funcionário da Caixa Econômica Federal à qual havia solicitado um empréstimo de milhões; propunha uma aposta: “ aposto um Galaxie se esse meu contrato sair”; saía, é claro, e ele pagava a “aposta” com um largo sorriso na cara de malandro; o Galaxi, o carro mais caro da época, era o sonho de consumo dos funcionários públicos que já amavam pixuleco.
        O Grupo Lume era um império; possuía de banco, que nadava de braçada no dinheiro do BNH para financiamento da casa própria, à mineradora, que ainda no começo dos anos 70 ganhou da Petrobras a exploração da jazida de potássio do Sergipe, uma das maiores do mundo; o potássio é um dos componentes do adubo químico.
        Os jornais da época se encheram de manchetes alvissareiras: agora sim o Brasil deu a largada para  conquistar a autossuficiência em potássio, agora vai, agora vai, mas acabou não “fondo” como diria aquele jogador gaúcho. O Grupo Lume simplesmente sentou sobre as jazidas e preferiu ganhar dinheiro com a tradicional esperteza de Lynaldo: o grupo negociou uma montanha de propina com os países que exportavam potássio para o Brasil com a promessa de não abrir-lhes concorrência em terras sergipanas.
        A manobra só foi descoberta mais de 20 anos depois quando o Brasil gastara zilhões de dólares com a importação do bendito potássio; era o final do governo Figueiredo e a paralisia do Grupo Lume já dava muito na cara; a outorga foi retirada do Lume e entregue à Petrobras.
        Agora vai, agora vai, mas outra vez deu a lógica do jogador de futebol gaúcho: acabou não fondo; a máfia que quase destrói a maior estatal do país deve ter descoberto o Jeito Lume de Ser, de modo que a empresa também sentou no potássio e pouco fez para a extração.
        Em 1991, a Petrobras arrendou o direito de exploração do Potássio sergipano, adivinhem para quem? Para a – tcham, tcham, tcham! – Vale do Rio Doce; Lynaldo foi realmente um mestre: ensinou o caminho das pedras para todos, democraticamente.
        Talvez para “inglês ver”, a Vale deu início imediato à exploração de uma pequena jazida em território sergipano (Taquari–Vassouras) e só fez arranjar desculpas, as mais esfarrapadas, para atrasar a exploração da jazida principal. Só a história de que dois pequenos municípios – Japaratuba e Capela, onde estão localizadas as jazidas principais – brigavam pela arrecadação de impostos fez com que a Vale ganhasse 5 preciosos anos de tempo de atraso no início da exploração. Quer dizer, mais uma vez os interesses da Nação são submetidos aos interesses regionais e de uma empresa que depois de ser privatizada voltou para o “doce capitalismo” à lá PT.
        O início da produção agora está previsto para 2017 e não é de todo improvável que a Vale adie por mais alguns aninhos, isto se o juiz Sérgio Moro não resolver investigar essa história. Com a produção da jazida sergipana em todo o seu potencial, o Brasil pode não alcançar a autossuficiência, mas deve arranhá-la.
        A produção brasileira de potássio ainda é ridícula, sobretudo se considerarmos que as reservas sergipanas e amazonenses podem nos trazer uma folgada autossuficiência. Nesta semana foi lançada na Câmara dos Deputados a “Frente Parlamentar pela Defesa, Apoio ao Potássio Brasileiro”. O deputado roraimense, Edio Lopes (PMDB), atuará como vice-presidente da Frente e é ele quem diz que os gastos do país com a importação do potássio chegam a R$ 5 bilhões anuais.


NOSSO ABAIXO-ASSINADO PELA CASSAÇÃO DA OUTORGA DE MINERAÇÃO DA SAMARCO JÁ ESTÁ PRÓXIMO DAS PRIMEIRAS DUZENTAS ASSINATURAS. AJUDEM A ENGROSSAR AS ADESÕES PELO BEM DO BRASIL, SEGUE LINK:
https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco


01/12/2015

Prezados amigos e amigas

        Postei há dias atrás um abaixo-assinado com a intenção de cassar a outorga de mineração da SAMARCO, a empresa que provocou o maior desastre ambiental da história do país. Acho que só mesmo essa cassação para levar esta e outras empresas do setor de mineração a tratar com respeito às comunidades no entorno de suas atividades e a natureza.
        Muitos de vocês já assinaram, pelo que eu fico  agradecido. Agora precisamos envolver seus amigos e conhecidos.
        O desastre de Mariana, em Minas Gerais, foi causado por pura negligência dessa empresa na construção e manutenção das barragens de rejeitos da mineração. E também pela omissão criminosa na fiscalização do DNPM e do Ministério das Minas e Energia, a quem dirijo o abaixo-assinado.
         Conto com você e com sua rede de amigos para tornar esse pleito vitorioso.
        Assine (e divulgue) no LINK abaixo; as comunidades atingidas, tanto em Minas Gerais como no Espírito Santo, ficarão gratas e comovidas com o seu apoio


LINK DO ABAIXO ASSINADO:
https://www.change.org/p/cassem-a-outorga-de-extra%C3%A7%C3%A3o-mineral-da-samarco