18/02/2018

Descanse em paz, Celso Daniel (Se puder...)

 **Publicado em 12/07/16**       

        A libertação de Ronan Maria Pinto, preso preventivamente na 27ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Carbono 14 e deflagrada no início de abril, é um péssimo sinal para os brasileiros que sonham em ver esclarecido o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel,  e ver o país, se não  livre, ao menos com um índice de corrupção bem menor.
        O  empresário Ronan Maria Pinto, hoje controlador do Diário do Grande ABC, obteve  liberdade condicional por decisão contrária ao entendimento do juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba; a decisão de libertá-lo foi tomada pelos desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre.
        É a primeira vez que o TRF4 concede habeas-corpus contra uma prisão determinada por Moro na Lava Jato.
        Vê-se, por aí, que o território de ataque à Lava Jato tem mesmo proporções continentais.
        Os promotores que deflagraram a Operação Carbono 14 deixavam claro que a prisão de Ronan não deveria significar que a Lava Jato iria investigar também o assassinato de Celso Daniel.
        A prisão de Ronan – explicaram – tinha a ver apenas com as razões que levaram o empresário José Carlos Bumlai, amigo de Lula, a dividir com ele, Ronan, o empréstimo “fraudulento” que obteve no Banco Schahin, de 12 milhões de reais.
        Os brasileiros ficaram a ver navios nessa história. Como entender que um tribunal do Rio Grande do Sul mande soltar um preso sob custódia da vara Federal de Curitiba? Como entender que Ronan deixe a prisão sem explicar por que recebeu metade de um empréstimo contraído por Bumlai? Como entender que a promotoria que prendeu Ronan não queira esclarecer os mistérios que ainda cercam a morte de Celso Daniel e de mais sete pessoas na esteira do assassinato de um prefeito do PT?

        Somos mesmo o país das bruzundungas!

        Em meu blog, há duas semanas, divulguei artigo tentando mostrar que o PT pode ter mandado assassinar tanto Celso Daniel quanto o Toninho do PT (prefeito de Campinas) e fui chamado de mentiroso e de irresponsável  por “jornalistas-petistas” como se alguém que pode ser rotulado de petista possa também ser considerado jornalista.

        HISTÓRICO CONSPIRA CONTRA PT

        Ronan foi um dos primeiros suspeitos de pertencer à quadrilha que mandou assassinar Celso Daniel.

        Depois da morte do prefeito, vários fatos enchem de mistério e de sangue essa história:

1º- Bruno Daniel, irmão de Celso, começou a levantar dúvidas sobre a versão que a polícia tentava impor para o crime (simples latrocínio, sem nenhuma conotação política) e teve de fugir para a França para escapar da morte; outro irmão, Francisco, teve de desaparecer do Estado de São Paulo.

2º- Gilberto Carvalho, da Executiva Nacional do PT e amigo pessoal de Lula, até agora não deu uma explicação minimamente convincente para seu trabalho de assessor de Celso Daniel. Foi acusado de ser o homem que levava o dinheiro da prefeitura para o PT.

3°- Luiz Eduardo Greenhalgh, então deputado federal pelo partido, acompanhou a necropsia do corpo e assegurou à família que Celso não tinha sido torturado, o que foi desmentido pelo legista Carlos Delmonte Printes.

4°- O legista Carlos Delmonte Printes é encontrado morto em seu escritório em São Paulo no dia 12 de outubro de 2005.  A perícia descartou morte natural.

5º- Antônio Palácio de Oliveira, o garçom que serviu o último jantar ao prefeito, em São Paulo, foi assassinado em fevereiro de 2003.

6º- Paulo Henrique Brito, testemunha da morte do garçom, é assassinado em março de 2003.

7º- Iran Moraes Rédua, que reconheceu o corpo de Daniel, foi assassinado em dezembro de 2003.

8º- Dionísio Severo, suposto elo entre a quadrilha executora e um dos mandantes do crime, foi assassinado em abril de 2002.

9º- Sérgio Orelha, amigo de Severo, foi assassinado em 2002.

10º- Otávio Mercier, investigador que ligou para Severo talvez para alertá-lo dos riscos que corria, foi morto em julho de 2003.

        Ronan Maria Pinto conhece todo esse roteiro macabro e Lula sabe que ele conhece. Penso que foi por isso – e apenas por isso – que ele ordenou a Bumlai que dividisse o dinheiro do Banco Schahim com Ronam.

        A história me parece que é esta, mas quem não quiser acreditar nela que conte outra.




Ronan Maria Pinto, preso e já liberado sem contar o que sabe do assassinato do prefeito Celso Daniel

Lula também nunca contou o que sabe sobre o assassínio de Celso Daniel e Toninho do PT

Juiz Sergio Moro, ao que se informa, não queria a liberdade de Ronan Maria Pinto 

Um comentário:

  1. O PT é extremamente pragmático em assuntos como esse do Celso Daniel....

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