12/10/2016

"Três brasileiros perdidos dentro do mega furacão Andrews"

        Final de agosto de 1992... No aeroporto de Miami, duas horas antes de tomarmos o avião de volta ao Brasil, uma garota já ostentava a camiseta com a frase: “Eu sobrevivi ao Andrews”.
        Nos identificamos imediatamente com ela. Eu e meus dois companheiros de viagem – Sérgio Munhoz e Felipe Batzli – tínhamos enfrentado também, oito dias antes, a fúria de um dos mais devastadores furacões que atingiram os EUA, o Andrews.
        O Mattheus, que devastou o Haiti neste início de outubro de 2016 na categoria quatro, matando mais de 1.000 pessoas, chegou à Flórida na categoria três e perdeu mais intensidade ao seguir para a Carolina do Norte, onde virou ciclone tropical.
        O Andrews entrou na Flórida já na categoria máxima (nível cinco) com ventos que alcançaram 278 quilômetros por hora. Foi coisa do demônio!
        Nós três éramos funcionários da Agência Estado (empresa do grupo do jornal O Estado de São Paulo) e tínhamos viajado de Miami para Fort Myers, ainda na Flórida, para participar de um congresso da Knight Rider, nossa parceira americana. Chegamos para o congresso num domingo e voltamos para Miami na quarta-feira; eu tinha ainda o compromisso de conhecer o sistema de fotografia do Miami Herald, já totalmente informatizado.
        Foi apenas no sábado, tarde da noite, que ouvimos falar pela primeira vez que um furacão vinha na direção de Miami. Sérgio Munhoz perguntou a uma das balconistas de uma perfumaria se a  loja abriria no domingo e ela respondeu assim:
        - Acho que a loja vai ficar fechada por vários dias, porque um furacão está a caminho de Miami e deve chegar na segunda-feira de manhãzinha!
        Saímos dali com a pulga atrás da orelha, mas ainda relativamente tranquilos: nosso voo de volta ao Brasil estava marcado para domingo às 19horas.

SUSTO, AO ACORDAR

        Acordamos no domingo em sobressalto: Munhoz me chamou ao telefone para avisar que todos os canais de TV haviam abandonado a programação normal para transmitir informes e notícias sobre o furacão.
        Embaixo da tela, na horizontal, exibiam uma tarja fixa, com a rota do Andrews, velocidade e pressão atmosférica; os números eram atualizados em tempo real.
        Um homem uniformizado pregava cartazetes na porta do elevador com o seguinte comunicado: “Senhores hóspedes, informamos que o hotel tem de ser evacuado; quem não tiver como encontrar um abrigo seguro, dirija-se a um destes endereços, onde funcionam abrigos antifuracânicos...”
        Como jornalista, nunca havia testemunhado a um bombardeio de informações tão intenso quanto aquele.
        Munhoz voltou para o quarto para telefonar – o celular só iria aparecer no Brasil dali a dois anos. Ligou para a companhia aérea  na presunção de que nosso voo pudesse ter sido antecipado; em menos de dez minutos retornou com a notícia, irrecorrível:
        - Não foi antecipado, foi cancelado! O aeroporto de Miami já está fechado para pouso e decolagem!
        Foi nesse clima de tensão que tomamos o café da manhã. Discutíamos uma alternativa: seguir para Orlando? Procurar um hotel mais seguro em Miami? Prevaleceu a ideia irresponsável do repórter: “Vamos ficar aqui mesmo e enfrentar?”, propus e os dois companheiros aceitaram, talvez por terem encarnado, sem ser jornalistas, a minha curiosidade.
        Num passo seguinte, procuramos o gerente do hotel para perguntar se poderíamos continuar hospedados com a intenção de desocupar dois dos quartos e ficar com apenas um, o meu. Ele consentiu desde que assinássemos um papel isentando o hotel de toda a responsabilidade pelo que viesse a nos acontecer.
        A decisão não foi casual. Interpretando as informações que a TV havia transmitido, sabíamos que meu quarto, amplo, com várias camas, era o único voltado para a lateral do “corredor” por onde passaria o furacão. Os outros dois quartos, ocupados por Munhoz e Batzli, tinham janelas voltadas para o mar. E o Andrews, a TV informava, entraria pelo mar. Meu apartamento, portanto, era o mais seguro ou o menos perigoso.

ESCOLHA SALVADORA

        Liguei para a Rádio Eldorado (do mesmo grupo da Agência Estado e do jornal O Estado de São Paulo), me oferecendo como “repórter furacânico”. Fui aceito imediatamente e com entusiasmo. Ademar Altieri havia realizado uma revolução no jornalismo da emissora, então dirigida por João Lara Mesquita.
        No domingo que antecedeu a passagem do furacão, fui chamado várias vezes pela  Eldorado, entrando sempre ao vivo na programação. Depois da passagem do Andrews, o “repórter furacânico” teve aposentadoria compulsória: nem as comunicações de Miami suportaram a força do “presente de grego” enviado pelo Caribe.
        Não conseguíamos mais falar com o Brasil.

        Antes da chegada do monstro, na condição de repórter, portanto, saí às ruas acompanhado pelos dois companheiros de aventura.
        Caminhamos a pé pelo comércio, vimos as providências antifuracânicas em lojas e shoppings: mercadorias eram suspensas (a previsão, enfim não confirmada, era de que o Andrews levantaria ondas de mais de 16 metros); portas eram reforçadas com vigas e tábuas espessas de madeira; paredes de alvenaria eram erguidas às pressas em pontos estratégicos. Poucas lojas vendiam à minguada freguesia que insistia na compra de artigos bem específicos (Felipe Batzli comprou uma bela câmera Nikon e registrou com ela tudo o que vimos).

VESTIA A CAMISA DO MEU TIME

        Procurei o chefe da polícia que nos atendeu cortesmente e nos mostrou, por minha insistência, a camisa do Corinthians que usava por baixo do uniforme. “Temos nada menos de 900 viaturas preparadas para entrar em cena tão logo o furacão termine de passar. Vamos coibir saques e roubos de mercadorias!”
        Almoçamos na região central, e à tarde fomos procurar, por mera curiosidade, os tais abrigos antifuracânicos: eram prédios escolares afastados da orla marítima e em áreas distantes do corredor por onde, já sabiam, o Andrews passaria. Dentro de um deles, o clima já era pesado: o abrigo acabara de receber algumas  dezenas de doentes de um hospital que teve de ser evacuado por estar localizado na rota do furacão. Havia pessoas com extensas cirurgias abertas e outras gemendo de dor ou desconforto, não sei. 

        Na volta ao hotel, Miami já lembrava uma cidade nervosa como se tivesse sido  informada de que seria invadida pelas tropas inimigas. Carros passavam a toda velocidade em todas as direções, as poucas pessoas vistas nas calçadas tinham pressa, algumas corriam; quanto mais nos aproximávamos da região central, mais surgiam evidências do esvaziamento de Miami: a área central, onde se concentra grande parte do comércio, estava localizada na zona mais crítica, por onde passaria o olho do furacão. Nas ruas do  comércio, por volta das 18 horas, já não havia nem gente, nem carros em circulação.
        Também no hotel eram muitas as providências antifuracânicas: homens uniformizados montavam uma barreira com sacos de areia na rampa de acesso à garagem subterrânea enquanto outros pregavam tábuas em portas do andar térreo; pequenos furgões eram lotados por pequenas caixas de papelão, cujo conteúdo não nos foi possível desvendar.

GRUPO SOLIDÁRIO

        Tive um primeiro contato com um grupo de cerca de 20 pessoas, funcionários da Transbrasil, adultos, jovens, moças e rapazes, que decidiram também ficar no hotel e encarar a fúria do vento. Foram nossos parceiros de medo e sobressaltos.
        Passavam das 19 horas, quando resolvi sair para fumar um cigarro; na esquina mais próxima, um ônibus desembarcou turistas que chegavam de Orlando; alguns se atracaram ao telefone público na tentativa de falar com parentes e amigos na cidade, já estranhando o fato de não terem sido recebidos no desembarque conforme o combinado; falavam português.
        Minha suspeita se confirmou: não haviam recebido nenhuma informação sobre o Andrews e os parentes ou amigos que procuravam por telefone certamente já haviam fugido de Miami. Aproximei-me e contei tudo o que sabia; reagiram com espanto e uma senhora idosa chorou. Iriam procurar hotéis fora da rota do furacão.
        Dei alguns passos na direção do hotel e encontro a mesma "mulherzinha" que já havia enxergado pelas ruas do comércio; deveria ter uns 50 anos, era magra e elegante. Segurava nas mãos os sapatos de salto e trajava um vestido preto Channel.
        Comuniquei-me com ela com dificuldades: não falava espanhol e menos ainda português; meu inglês é muito fraco, mas ainda assim descobri que ela estava confusa, desorientada. Supus que tivesse sofrido um acidente que lhe provocou amnésia. Não se lembrava do próprio nome e nem de seu endereço. Tinha um pequeno ferimento na testa, já cicatrizado.
        Convenci-a a abrigar-se no hotel. Na porta de entrada, a introduzi e continuei do lado da fora, para fumar outro cigarro.
        Ao entrar no hotel dali a uns 15 minutos vejo que ela já estava enturmada com os companheiros da noite. Quando estão sob forte ameaça, a solidariedade aflora com mais força entre as pessoas.
        Estávamos sentados no salão onde era servido o café da manhã, mas os serviços foram suspensos já no começo da tarde.  Repartíamos lanches, bolachas, bombons, biscoitos.

PRIMEIROS SINAIS DA “FERA”

        Passavam das 22 horas quando Munhoz e Batzli resolvem subir para o quarto, no sexto andar. Eu ainda fiquei ali no bate-papo até quase meia-noite, quando resolvi subir também, curioso para saber se já havia algum sinal da “fera”.
        Passamos o dia inteiro atentos ao céu  para ver se enxergávamos um sinal, podia ser um sinal qualquer, uma nuvem mais escura, uma brusca alteração na velocidade do vento, mas qual o quê ! Miami permaneceu o dia todo e parte da noite com céu de brigadeiro e mormaço típico de verão. E de repente chega aquele monstro poderoso capaz de romper tudo o que surgisse em sua frente...
        Os janelões do quarto estavam tapados com cortinas e os dois amigos haviam grudado pedacinhos de fita crepe em cada pequeno vidro:
        - É pra não estilhaçar, explicou Munhoz.
        Passava da meia-noite  quando vimos, pela janelinha do banheiro, os primeiros ventos furacânicos a agitar árvores e arbustos.
        A esposa de Munhoz tinha ouvido meus relatos pela Eldorado e ligou apreensiva.  Ele demonstrou coragem:
        - O furacão já chegou, mas é um ventinho bem sem-vergonha, coisa muito pior do que isto nós já enfrentamos aí no Brasil...

PRIMEIRO GRANDE SUSTO

        Passavam das duas horas quando resolvo descer de novo para sentir o clima lá embaixo, no térreo. O grupo continuava no salão do café da manhã, mas as notícias que um rapaz captava pelo rádio aumentavam muito a tensão! Já não se ouviam mais risadas... A animação fora vencida pelo cansaço e pelo medo...
        Pouco depois das três horas, o Andrews pregou um grande susto em todos ali: lá nos fundos do térreo, o vento arrancou as portas de aço de uma pequena loja, aberta para uma rua lateral e separada do saguão do hotel por treliças metálicas perfuradas. Ouviu-se um grande estrondo seguido do típico barulho de rajada de vento forte; assustado, o grupo apressou-se em subir para o mezanino e eu, movido novamente pela curiosidade irresponsável de repórter, caminhei até lá, seguido por dois funcionários do hotel, que pareceram ter brotado do nada. Quis conferir de perto o que havia acontecido.
        Só mesmo um furacão do porte do Andrews para proporcionar espetáculo tão incrível: o vento penetrava na pequena loja, batia de chapa numa parede e voltava para a rua, sem entrar no saguão do hotel. Ouvíamos apenas o ronco parecido com o de uma mega ventania. A imagem daquilo lembrava uma cena de filme de ficção em que o super-man assopra com força uma parede com a intenção de derrubá-la.
        Voltei a me encontrar com o grupo alojado nos sofás do mezanino e contei-lhes o que tinha visto; ficaram horrorizados, e um rapaz rezou baixinho.
        Antes das quatro resolvi subir novamente para o quarto; viveria então o clímax da aventura. Pra começar, os elevadores estavam paralisados e as escadarias não tinham luz. Movi-me na escuridão com ajuda de um isqueiro; identificava os andares pela contagem silenciosa da memória.

MEDO PELA PRIMEIRA VEZ

        Teimei, teimei e cheguei ao sexto. Tive medo de ter errado na contagem mas enfrentei o corredor mal iluminado, profundo, longo, perigoso. Nosso quarto era o último, distante dali uns 150 metros, talvez mais. A dificuldade estava no fato de o lado esquerdo ser formado por apartamentos com janelas voltadas para o mar.
        Inventei na hora uma tática de travessia do corredor: caminhava rápido até cada uma das portas, e nelas, pulava.  A cautela era justificável: a cada instante, o vento estourava uma vidraça das janelas voltadas para o mar e entrava nos apartamentos estourando tudo, armários, camas, espelhos... E eu não queria ser nocauteado por um guarda-roupa nas costas.
        Ecos de destruição dos apartamentos arrombados reverberavam pelo corredor... Por sorte, todas as portas que abriam para a parte interna do edifício suportaram bem a força do “monstro”, nenhuma delas foi violada naquele andar.
        As lâmpadas do teto eram sugadas para cima e ficavam bailando sobre o buraco, como nos filmes de terror...
        De pulo em pulo, cheguei ao nosso quarto para presenciar a cena inversa da que tinha visto há duas ou três horas atrás: meus dois heróis  tinham sido também vencidos pelo medo, quase pânico! Estavam deitados juntos e abraçados na cama de casal, cobertos até a cabeça com lençol, colcha e edredons:
        - Acho que vamos morrer ! Disse Munhoz, descobrindo a cabeça, com voz trêmula e quase apagada... Seu rosto estava branco como um esparadrapo !
        Foi a minha vez de simular coragem:
        - Que morrer que nada, pô! Eu vou é ver o “perigoso” ali da janela do banheiro! Vamos também, vamos!
        Só eu fui, mas os dois continuaram deitados, já com a cabeça descoberta... Minha presença os reanimou!

VISÃO DE TERROR

        Posso dizer que vi o Andrews passar em todo o seu “esplendor” pela pequena vidraça do banheiro! Creio que eram mais de quatro horas quando ele começava a passar com força total!
        Até hoje, passados mais de 20 anos, lembro-me detalhe a detalhe do avistado:
        -  De cinco em cinco minutos, os vidros grossos da janelinha estufavam para dentro, presumo  que devido ao aumento da pressão causado pela passagem de mais um dos pequenos  tornados que acompanham o furacão. Eu me afastava, dava um tempo e voltava a encostar o nariz no vidro.
        - No topo de um edifício, a haste de uma grua girava sem parar imitando a pá de um ventilador.
        - Lá embaixo, no pedaço de avenida que conseguíamos avistar dali, um semáforo dependurado num curto cabo de aço girava como pião desenhando um círculo luminoso no ar; o aço resistiu quanto pôde até que se rompeu. O semáforo caiu no chão e foi empurrado pelo vento na direção do hotel lembrando um míssil iluminado por faíscas intensas até bater contra a parede de um edifício; parou ali um minuto e logo tomou a direção do comércio com sua trajetória outra vez faiscante.
        - As palmeiras imperiais da avenida em frente ao hotel comiam o pão que o diabo amassou: as folhas da copa altaneira ficaram o tempo inteiro ejetadas para cima dando a impressão que a planta desejava voar; de vez em quando, uma delas tombava, quebrada no caule, a um  metro do solo. Tinham mais de 60 anos, descobri depois...
        - Na rua de comércio que avistávamos dali acontecia um interminável desfile de toldos, pequenos, médios, grandes, arrancados da frente de centenas de lojas...

UM ESPETÁCULO ATRÁS DO OUTRO

        Passavam das seis horas da manhã quando o vento parou de soprar. Parou de repente, sem dar nenhum aviso prévio...
        Em menos de 15 minutos após a calmaria, começamos a ouvir as sirenes das prometidas 900 viaturas... A sensação era de estarmos agora numa extensa pastagem atacada por bilhões de cigarras...
        As ruas da cidade deveriam estar enriquecidas por montanhas de mercadorias valiosas, mas o roubo foi insignificante, segundo as emissoras de rádio que começavam a operar.
        Não se confirmou também o boato de que uma usina de energia nuclear havia sido afetada...
        A polícia informou a administração do hotel que a circulação de pessoas a pé pelas ruas da cidade só seria permitida após o meio-dia. E o hotel exigia também a saída de todos os hóspedes, desta vez sem tolerância.
        Suportamos mais algumas horas de jejum no quarto e ao descermos, quase uma hora da tarde, já não encontramos nenhum dos nossos parceiros de aventura, nem mesmo a “mulherzinha” que possivelmente salvei da sanha assassina do Andrews. Viverei até o fim dos meus dias com esse enigma por resolver: quem era ela? De que nacionalidade? O que lhe aconteceu por ser encontrada assim perdida e desmemoriada?

CIDADE DESTROÇADA

        Havíamos alugado um carro pra voltar de Fort Myers e o deixamos no estacionamento a céu aberto do hotel. Do lado dele,  vimos o primeiro grande sinal da força dos ventos: ali estava, semi enterrada no chão duro, uma peça de aço maciço; olhamos para cima e para os lados e não demorou para concluirmos  que veio voando do céu; deveria pesar uns 30 quilos ou mais.
        Saímos, a quatro quadras dali, encontramos uma lanchonete aberta e em funcionamento; comemos dois lanches cada um e tomamos várias xícaras de café com leite. Pronto, estávamos preparados para fazer o tour pela cidade destroçada!
        Rodamos, de carro, o dia inteiro; improvisávamos os caminhos pelas facilidades de trânsito. Havia inúmeras ruas interditadas por árvores caídas, montes de um lixo estranho: móveis aos pedaços misturados com colchões, geladeiras, televisores, roupas de todas cores  tudo arremessado do alto dos edifícios pela força do vento, imaginávamos.
        Pelos bairros mais próximos, o cenário ainda era pior: vimos dezenas de casas pré-fabricadas destruídas, pequenos prédios sem um ou dois andares, teto de lojas do comércio esmagando milhares de móveis e eletrodomésticos, etc etc etc...
        Passei um bom tempo, depois de tudo, tentando escolher um só exemplo que representasse a força e a fúria do Andrews. Concluí que isto é impossível: são centenas de exemplos, cada qual mais impressionante que o outro. Relaciono aqui alguns dos “avistados” e deixo que o leitor escolha à vontade o exemplo que considerar mais adequado:
        - A carreta estacionada num terreno ao lado do prédio do jornal Miami Herald, lotada de bobinas de papel, foi arrastada dali com carga e atirada numa vala a 500 metros do local.
        - Várias palmeiras imperiais da avenida em frente ao nosso hotel foram quebradas à altura de um metro do solo e arrastadas não se sabe para onde. Tinham no ponto quebrado mais de um metro de diâmetro.
        - Uma lancha de mais ou menos 32 pés estava estacionada no asfalto da avenida de acesso à ilha de Key Biscaine. Ela abriu caminho no bosque existente à direita da avenida por cerca de 500 metros de extensão, depois de fazer uma navegação de pelo menos cinco milhas em altíssima velocidade...
        - O teto de uma imensa loja de móveis na região atacadista de Miami desabou esmagando milhares de armários e sofás... A loja deveria ter a dimensão de duas quadras ou mais!

PRECAUÇÕES

        Vejo na internet um interesse grande por dicas e sugestões para sobrevivência em situações que enfrentamos em Miami. Passo, portanto, as sugestões de quem sobreviveu a um furacão de respeito:
        - Evite hotéis ou hospedagens próximos à orla marítima. Estes são geralmente os mais perigosos.
        - Evite hospedar-se em casas pré-fabricadas.
        - Aproveite bem todas as informações que devem transmitir a internet e mesmo a televisão. Localize-se no ambiente: escolha quartos seguros (nunca aqueles com janelas voltadas para o mar) e saiba de onde virão os ventos e em que direção devem soprar.
        - Tenha sempre algumas poucas provisões em casa, no quarto. Tenha água potável disponível.
        - Não minimize a força dos ventos furacânicos, proteja-se, não viaje de carro sem antes se informar se pode ou não ser alcançado na estrada ou no destino por ventos fora do padrão.
        - Saiba que um furacão atinge  uma faixa de 15 a 20 quilômetros de largura; são formados geralmente no mar do Caribe e sobem em direção à Flórida e dali seguem para outros estados americanos.
        - A capacidade destrutiva de um furacão é determinada pela velocidade dos ventos e por isso eles são classificados em diferentes níveis, de um a cinco. Pode haver mudanças nessa classificação durante o percurso que realiza, do Caribe aos EUA.


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